Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Lições da Copa e a punição de Suárez

Por Mário Augusto Jakobskind - A Copa do Mundo está sendo um gol de placa do Brasil. A mídia conservadora teve de se render. Em função da cobertura anterior, a partir da própria mídia conservadora brasileira, as mídias de várias partes do mundo de um modo geral previam que o caos predominaria durante a competição futebolística. Nada disso aconteceu muito pelo contrário.

Sábado, 28 de Junho de 2014 às 14:03, por: CdB
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País bipolar, o Brasil saiu da depressão pré-Copa e vive agora a euforia da Copa
A Copa do Mundo está sendo um gol de placa do Brasil. A mídia conservadora teve de se render. Em função da cobertura anterior, a partir da própria mídia conservadora brasileira, as mídias de várias partes do mundo de um modo geral previam que o caos predominaria durante a competição futebolística. Nada disso aconteceu muito pelo contrário. Mantendo a escrita de um país bipolar, que sai da depressão para a euforia, os brasileiros agora entraram no clima da Copa, para cima, de festa. A baixaria com visíveis intenções políticas foi para o espaço, para tristeza dos grupos que apostam no quanto pior melhor. O Rio de Janeiro em especial, e outras capitais que abrigaram partidas de seleções latino-americanas, estão tendo um saldo político cultural da maior relevância. Os cariocas, por exemplo, que estavam de costas para o continente latino-americano, talvez pela primeira vez na história da cidade, sentiram de perto a integração dos povos da região. Muito importante o fato de os cariocas conseguirem olhar de frente para a América Latina, sem a interferência midiática dos Estados Unidos ou da Europa. O calçadão de Copacabana transformou-se em território latino-americano. É claro que isso trará dividendos positivos, ou seja, apesar de não ter estado no programa anterior, a competição futebolística está na prática impulsionando a integração cultural latino-americana. No Rio em poucos dias o aprendizado está sendo importante. Em meio a este cenário bastante positivo, um fato provocou polêmica, a punição do uruguaio Luis (Luizito) Suárez, um craque que desequilibra os adversários. O Brasil tem o seu Neymar, a Argentina o Messi, a Holanda o seu Van Persi. Agora, o Uruguai não terá o Suarez, punido pela FIFA de uma forma desproporcional. Depois de ter sido provocado em alguns lances, Suarez perdeu a paciência e teria mordido o jogador italiano Giorgio Chiellini. Reagiu. Pressionada pelos veículos de comunicação, a empresa privada FIFA decidiu suspender o craque uruguaio por sete partidas, impedindo inclusive que continuasse junto à seleção de seu país. Não teve alternativa se não a de voltar para Montevidéu antes da partida com a Colômbia. Foi recebido como herói pelos patrícios. O episódio, tanto a reação de Suarez como a provocação, nem foi percebido pelo juiz da partida. E com a gritaria de alguns setores, a FIFA decidiu puni-lo de uma forma totalmente desproporcional. No Uruguai passou a circular abaixo assinado contra a medida adotada pela empresa privada FIFA. O teor da denúncia coloca em dúvida a honorabilidade da própria FIFA, segundo os uruguaios, useira e vezeira em manipular jogos e jogadas, para no final das contas ajudar esta ou aquela seleção. Os dirigentes do futebol uruguaio responderam dizendo que a seleção mostrará na prática que se tornará ainda mais competitiva. Vamos aguardar. O Presidente José Pepe Mujica também se solidarizou com Suárez, transformado em herói uruguaio, afirmando que se o juiz da partida não fez nada na hora, nem viu o lance, por que puni-lo depois? Aliás, se a moda pega, depois das partidas alguns jogadores teriam o mesmo destino que Suárez, desde que as baterias midiáticas se fizessem sentir, como no caso em questão. O treinador uruguaio, Oscar Tabárez, decidiu renunciar a sua participação na Comissão de Estratégia da FIFA em represália à severa punição que a entidade privada futebolística promoveu contra Suárez. Suárez recebeu a solidariedade de Diego Armando Maradona, que em seu programa “De Zurda”, no canal Telesul, acusou a FIFA de promover uma “sanção injusta, uma coisa incrível de máfia”. Trajando uma camiseta com os dizeres “Luizito estamos com vos”, Maradona complementou perguntando o “por quê da punição” e “a quem ele matou” para ser afastado por nove partidas e impedido de continuar junto com a seleção uruguaia? Mas apesar da FIFA, a Copa está sendo bem considerada, não apenas pelas partidas em si, como pela organização, tão questionada até bem pouco tempo. E, para finalizar, a seleção chilena denunciou a Rede Globo por mandar um helicóptero para espionar um treino a porta fechadas em Belo Horizonte. Em tempo, ainda está em tempo prestar homenagem aos oito operários que morreram na construção de estádios para a Copa do Mundo. Sugestão: criar algum monumento na entrada dos estádios, hoje chamados de arena, lembrado o nome dos operários mortos. Ao contrário da letra do Chico Buarque de Holanda, eles morreram sem atrapalhar o trânsito. E também a própria Copa. Merecem ser lembrados. Mário Augusto Jakobskind, jornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil); preside a Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI – livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla (no prelo). Direto da Redação é editado pelo jornalista Rui Martins com o apoio do Correio do Brasil.
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