Líbia mergulha na violência sectária após intervenção dos EUA
Segundo depoimentos de pessoas que estão deixando a Líbia, a espiral que está levando o país a uma guerra civil é “muito pior” do que a revolução que derrubou o ditador Muammar Kadafi, em 2011. A intervenção patrocinada por países como os EUA e a França "levou o país ao caos", segundo Paraskevi Athineou, uma mulher grega que vivia em Benghazi, no oeste do país.
A Líbia sofre com insegurança crônica desde que Gadafi foi derrubado
Segundo depoimentos de pessoas que estão deixando a Líbia, a espiral que está levando o país a uma guerra civil é “muito pior” do que a revolução que derrubou o ditador Muammar Kadafi, em 2011. A intervenção patrocinada por países como os EUA e a França "levou o país ao caos", segundo Paraskevi Athineou, uma mulher grega que vivia em Benghazi, no oeste do país.
– O caos está reinando. Não temos governo, comida, combustível nem água. Passamos horas sem eletricidade. Já estivemos em guerra antes, com Kadafi, mas agora é muito pior – afirmou Athineou, que faz parte de um grupo de 186 pessoas que foram resgatadas de Trípoli por uma fragata grega na madrugada deste sábado.
Além de 77 gregos, a embarcação levou 78 chineses, 10 britânicos, 12 cipriotas, sete belgas, um albanês e um russo até o porto de Piraeus. Entre eles estavam diversos diplomatas, incluindo o embaixador da China na Líbia.
"Matando uns aos outros"
A Líbia sofre com insegurança crônica desde que Gadafi foi derrubado. O novo governo não conseguiu reunir as milícias que ajudaram a remover o ditador e ainda sofre ameaças permanentes de grupos islâmicos. Na sexta-feira, 40 franceses, entre eles o embaixador do país na Líbia, chegaram ao porto de Toulon, no sul da França. Diversos outros países estão evacuando sua população do país magrebino.
– Tantas pessoas morreram para fazer um país melhor. E agora estamos matando uns aos outros em uma guerra civil – disse Osama Monsour, de 35 anos, funcionário de uma ONG em Trípoli.
O conflito entre milícias rivais na capital levou o aeroporto internacional da cidade a ser fechado, enquanto grupos islâmicos estão enfrentando as forças especiais do exército na cidade de Benghazi.
– Está pior do que em 2011, porque daquela vez estávamos sendo bombardeados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte. Agora estamos sendo atingidos pelos próprios líbios. É uma vergonha – disse Ali Gariani, um líbio casado com uma grega que fugiu na mesma embarcação.
Reunião do congresso
Em meio ao caos, o novo congresso líbio eleito no mês de junho fez, nesta segunda-feira, sua primeira reunião. O encontro foi boicotado pelos islâmicos que dominavam o parlamento desde a queda da Gadafi. A sessão teve de ser transferida de Benghazi, onde estava prevista para acontecer, para Tobruk, no leste do país, por razões de segurança.
Tanto Benghazi quanto a capital, Trípoli, estão tomadas por conflitos que já mataram mais de 200 pessoas e feriram outras mil nas últimas duas semanas.
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