Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Líbia condena à morte responsáveis por transmissão de Aids

Quinta, 06 de Maio de 2004 às 07:47, por: CdB

A Justiça da Líbia condenou nesta quinta-feira cinco enfermeiros búlgaros e um médico palestino à morte por fuzilamento sob a acusação de que eles, intencionalmente, contaminaram centenas de crianças líbias com o vírus da Aids, afirmaram funcionários do Poder Judiciário.

A Bulgária classificou de "injustas e infundadas" as sentenças e pediu que seus parceiros ocidentais - entre os quais a União Européia (UE), a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e os EUA - manifestem-se sobre o caso.

Advogados de defesa disseram que apelariam das condenações. Os funcionários da área de saúde se disseram inocentes, argumentando que não poderiam ser responsabilizados pela disseminação da doença.

Vários parentes das crianças contaminadas com o HIV foram às ruas perto do prédio da corte para celebrar a decisão da Justiça. Os réus, detidos em 1999, foram condenados por terem infectado 426 crianças líbias em um hospital de Benghazi com produtos sanguíneos contaminados com o HIV, o vírus da Aids.

Os búlgaros esperavam alguma moderação da parte do Judiciário já que o líder da Líbia, Muammar Kadafi, tem realizado vários esforços para reatar suas relações com o Ocidente.
"Fiquei chocado com as sentenças.

A postura oficial do governo é de que não aceitaremos isso. Tais sentenças são injustas e infundadas", afirmou o ministro da Justiça da Bulgária, Anton Stankov, em Sófia. Mais de 40 das crianças contaminadas morreram desde 1999.

"Esperamos uma reação enérgica de nossos aliados, principalmente da União Européia, dos EUA e da Otan, que se esforçaram para garantir um julgamento justo", afirmou o ministro.
Na semana passada, Kadafi realizou uma visita histórica à Europa e ouviu de Romano Prodi, presidente da Comissão Européia (Poder Executivo da UE), um apelo para que a questão fosse "resolvida de forma rápida e justa".

Meios de comunicação da Bulgária especulam que os búlgaros foram condenados à morte a fim de que o líder líbio possa perdoá-los, o que se integraria aos esforços para melhorar suas relações com a Europa. 

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