Rio de Janeiro, 24 de Maio de 2026

Líbia adia julgamento de enfermeiras búlgaras e médico palestino

Terça, 31 de Maio de 2005 às 03:31, por: CdB

A Corte Suprema da Líbia adiou, nesta terça-feira, para 15 de novembro o julgamento de apelação de cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestino condenados à morte por supostamente contagiar várias crianças com o vírus da aids, informou em Sófia a Rádio Nacional da Bulgária.

Em maio de 2004 os seis trabalhadores sanitários foram declarados culpados de contagiar deliberadamente mais de 400 crianças líbias com o vírus da aids e o tribunal de Benghazi os condenou a morrer fuzilados.

No fim de semana passado as autoridades líbias deram a entender perante o presidente búlgaro, Georgi Purvanov, que viajou ao país, que o caso pode ser solucionado caso se chegue a um acordo com os pais das crianças afetadas.

No entanto, as autoridades búlgaras, convencidas da inocência dos acusados, sempre se negaram a negociar indenizações por considerar que isto significaria reconhecer que as enfermeiras são culpadas.

A postura de Sófia, baseada em conclusões de especialistas internacionalmente reconhecidos na matéria, é que a epidemia de aids no hospital de Benghazi aconteceu antes de as enfermeiras búlgaras começarem a trabalhar ali e que sua causa foi a má higiene.

Por isso, Parvanov propôs em Trípoli a elaboração de um plano de ação para a solução do problema e que incluísse a criação de um fundo europeu para o tratamento das crianças doentes.

A comissária de Relações Exteriores da União Européia, Benita Ferrero-Waldner, também disse que "há uma pequena chama de esperança" de que se resolva a situação, após se reunir na semana passada em Trípoli com o presidente líbio, Muamar Khadafi.

A sentença é apelada pelos advogados dos acusados que reclamam a abertura de um novo processo ao dizer que as enfermeiras foram torturadas para confessar sua culpa.

A procuradoria suprema de cassação da Líbia reclama que o julgamento seja devolvido a Benghazi, porque na instância inferior houve erros.

A procuradoria de Benghazi insiste na confirmação das condenações à morte, assim como na revogação da sentença de absolvição do médico búlgaro Zdravko Gueorguiev, detido também em 1999 ao ir buscar na prisão uma das enfermeiras que é sua esposa.

O médico foi absolvido das acusações e libertado em maio do ano passado, embora ainda permaneça em Trípoli porque as autoridades líbias não o autorizam a deixar o país.

Mas se for aberto um novo julgamento, será uma agonia que ninguém sabe o quanto durará. Portanto não há variante boa. Há menos ruim", declarou, na segunda-feira, em entrevista televisiva perante uma cadeia búlgara Zdravko Gueorguiev.

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