O presidente venezuelano Hugo Chávez disse nesta quarta-feira estar aguardando apenas pela autorização do governo da Colômbia para concretizar a libertação de três colombianos mantidos reféns pelo grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
— A única coisa que falta é a autorização do governo colombiano para que a operação de libertação seja executada. Tanto o pessoal venezuelano como o transporte e os dispositivos de segurança já estão preparados —, declarou Chávez durante entrevista coletiva no Palácio Miraflores, em Caracas.
Segundo Chávez, representantes dos governos da Argentina, França, Cuba, Equador, Bolívia, Brasil e Venezuela foram designados para acompanhar e “facilitar” a operação, acordada com as Farc. O representante venezuelano seria o ex-ministro do Interior e Justiça, Ramón Rodrígues Chacín, encarregado de coordenar toda a operação.
O governo brasileiro não confirma o envolvimento na operação. O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, disse que ficou sabendo da notícia por meio da imprensa.
— Não acredito [na participação do Brasil]. Essa é uma questão de vizinhos e eles se resolverão bem. Cabe a nós apenas torcer para que essas pessoas que estão longe de casa há muito tempo voltem para suas famílias —, disse Múcio.
O Ministério das Relações Exteriores também não confirma a informação e diz que está acompanhando o caso.
No início do mês, durante a posse de Cristina Kirchner na Presidência da Argentina, o governo brasileiro reiterou ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disposição em ajudar na libertação dos reféns.
Na semana passada, o grupo guerrilheiro anunciou que iria entregar ao presidente venezuelano, em local não informado, a assessora da ex-candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt, Clara Rojas; o filho de três anos da assessora, Emmanuel (sobrenome não divulgado), e a ex-deputada Consuelo Gonzáles. Consuelo foi sequestrada em 2003. Clara, em 2002.
Emmanuel seria fruto da relação de Clara com um integrante da própria Farc e teria nascido no cativeiro. Durante a coletiva, Chávez disse que os reféns deverão ser libertados perto da cidade de Villavicencio, no estado colombiano de Meta. Daí a necessidade de autorização do governo da Colômbia.
Desde o dia 21 de novembro, as relações diplomáticas entre os dois países fronteiriços estão estremecidas devido à atuação de Chávez como intermediador junto ao grupo guerrilheiro. Atuação iniciada em setembro, quando o presidente venezuelano manifestou publicamente que desejava conversar com o líder das Farc, Manuel Marulanda, para tentar chegar a um “acordo humanitário”.
No início de outubro, Chávez anunciou que já tinha se reunido com representantes do grupo. Diante disso, o presidente colombiano, Alvaro Uribe, autorizou-o a reunir-se com Marulanda. No entanto, estabeleceu o dia 31 de dezembro como data limite para que Chávez negociasse a libertação dos reféns. Na mesma ocasião, Marulanda se comprometeu a dar, até o final do ano, uma prova de que Ingrid Betancourt está viva.
No dia 20 de outubro, Chávez declarou, em Paris, que se as Farc libertassem um primeiro grupo de reféns, seria possível instalar um canal de diálogo que poderia inclusive incluir Uribe. No entanto, no dia 21 de novembro, o presidente colombiano desqualificou Chávez e a senadora Piedad Córdoba como mediadores. Uribe alegou que a participação de Chávez punha em risco a segurança democrática da Colômbia e acusou o presidente venezuelano de manter contato direto com membros das Forças Armadas colombianas, o que romperia um trato entre eles.
Na coletiva desta quarta-feira, Chávez declarou que o acordo para a libertação de todos os reféns já estava acertado quando Uribe cancelou sua mediação.