Rio de Janeiro, 09 de Agosto de 2026

Liberianos vão ao aeroporto implorar ajuda dos EUA

Quarta, 09 de Julho de 2003 às 13:20, por: CdB

Sob forte chuva e aos gritos de "Queremos paz, chega de guerra," centenas de liberianos invadiram a pista do aeroporto de Monróvia nesta quarta-feira para pedir à equipe militar dos EUA no país que envie tropas de paz o mais rápido possível.

Os Estados Unidos ainda não decidiram se vão enviar um contingente para intervir na guerra civil de 14 anos no país. O bloco regional Ecowas, que reúne países da África Ocidental, está disposto a enviar mil soldados nas próximas duas semanas, possivelmente com apoio logístico norte-americano.

Os liberianos acham que só o poderio dos Estados Unidos, de onde saíram no século 19 os escravos alforriados que fundaram a Libéria, podem conter os soldados e rebeldes que matam, estupram e saqueiam indiscriminadamente. Os rebeldes controlam cerca de 60 por cento do país.

"Queremos George W. Bush," gritavam alguns liberianos que tentavam chegar até a equipe de reconhecimento enviada por Washington. A polícia conteve os manifestantes.

Bush já disse várias vezes que a renúncia do presidente Charles Taylor é o primeiro passo para resolver a crise na Libéria. Taylor já aceitou a oferta de asilo da Nigéria, mas reluta em deixar o poder antes da chegada das tropas de paz, temendo que o vazio de poder provoque o caos e a anarquia.

Em visita à África do Sul, Bush reiterou sua posição, dizendo que seu colega sul-africano, Thabo Mbeki "perguntou se estaríamos ou não envolvidos, e eu disse 'sim, estaremos'. Agora estamos determinando a extensão desse envolvimento".

Um porta-voz da Ecowas disse que os primeiros mil soldados devem chegar à Libéria em duas semanas. No total, o grupo prometeu 3.000 homens para a operação e quer que os Estados Unidos complementem esse contingente para 6.000 militares.

Os Estados Unidos já têm 32 militares fazendo avaliações preliminares na Libéria, e o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, disse que outras pequenas equipes devem ser enviadas a países da Ecowas que estejam dispostos a participar da operação.

- Até que as equipes de avaliação voltem, me parece que não teremos firmeza a respeito da proposta que devemos apresentar ao presidente - disse Rumsfeld ao Senado de seu país.

Washington reluta em enviar tropas em parte porque ainda tem na lembrança a desastrada ação na Somália, quando 18 soldados foram mortos, há dez anos.

Taylor disse à CNN que a Libéria, com seus fortes vínculos com os EUA, se sentiria insultada com qualquer comparação com a Somália.

- Tudo aqui é norte-americano, tudo, tudo. Somos educados nos Estados Unidos. Tenho sobrinhos entre os marines e tudo. Nunca poderemos ser antiamericanos. Então a Somália, nem mencione - afirmou.

Taylor ainda não deu prazo para sua partida, mas a disputa sucessória já está se acirrando. Nas negociações que ocorrem em Gana, os negociadores de Taylor propuseram que o vice-presidente Moses Blah assuma o poder até as eleições previstas para outubro, mas os rebeldes consideraram a proposta absurda, porque querem uma chance de comandar o país.

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