Nascido na Itália, e com formação católica, o professor Adriano Sandri afirma que, no mundo, é "impossível encontrar uma situação de convivência religiosa tão interessante e profunda como no Brasil". Ele acrescenta que as divergências existentes não podem ser comparadas aos conflitos e guerras religiosas que ocorrem na Europa ou no Oriente Médio. Sandri diz que mesmo o preconceito, no Brasil, ocorre apenas sobre aqueles que "assumem oficialmente uma religião", uma vez que a cultura popular permite o trânsito das pessoas em di ferentes religiões.
Para Fernando Couto, que organizou a cartilha "Diversidade Religiosa e Direitos Humanos", lançada nesta quinta-feira pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, "educar as pessoas a se respeitarem é a forma para acabar com preconceitos e divergências religiosas".
O professor Sandri afirma que outras nações do mundo "não têm capacidade de entendê-la [a cartilha, que apresenta o pluralismo religioso no Brasil]". Ele enfatiza que o Brasil é "vanguarda para uma convivência e uma capacidade de pensar a religiosidade de forma cultural".
Recentemente, uma lei estadual no Rio Grande do Sul assegurou aos praticantes de religiões afro-brasileiras sacrificarem animais em seus rituais. A decisão legislativa provocou conflitos entre religiosos e a Sociedade Protetora dos Animais. "São embates naturais, que vêm da natureza de carregarmos (no Brasil) várias culturas", explica Adriano Sandri. Apesar de entender a posição dos protetores dos animais, Couto acredita que "se deve abrir uma brecha para que a religião possa exercer suas tradições".
Liberdade religiosa no Brasil é única no mundo, diz pesquisador
Quinta, 09 de Dezembro de 2004 às 18:48, por: CdB