Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Liam Neeson brilha em <i>Kinsey - Vamos Falar de Sexo</i>

Quinta, 28 de Abril de 2005 às 16:45, por: CdB

 Em "Kinsey -- Vamos Falar de Sexo" ("Kinsey"), que estréia nessa sexta-feira, o escritor e diretor Bill Condon presta um tributo a Alfred Kinsey, o biólogo que virou sexólogo cuja publicação "Sexual Behavior in the Human Male," de 1948, abalou os Estados Unidos do pós-guerra.

Este é o primeiro filme de Condon depois do aclamado "Deuses e Monstros" (1988), pelo qual ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado.

"Kinsey" conta com desempenhos excepcionais dos protagonistas (Liam Neeson e Laura Linney) e um texto adorável de Condon, também indicado para o Oscar pelo roteiro de "Chicago".

Mais inesperado é o tom exuberante e alegre do filme, o qual, dada a reputação clinicamente obsessiva de Kinsey em coletar dados, poderia ter resultado em um retrato mais austero.

Em conjunto, esses atributos fazem da obra um dos filmes mais satisfatórios do ano e, com forma e alcance similares de "Uma Mente Brilhante," o lançamento da Fox Searchlight pode surgir como candidato a várias estatuetas do Oscar.

De modo eficiente e criativo, Condon informa os aspectos de formação dos primeiros anos de Kinsey sem se limitar à exposição.

Filho de um autoritário professor de engenharia e pastor escolar dominical (John Lithgow), o jovem Kinsey (Neeson) se rebela contra a criação repressiva de seu pai ao se tornar um zoólogo formado em Harvard obcecado por vespas.

Enquanto ensina biologia na Indiana University, o esquisitão Prok (seu apelido profissional) sente-se atraído por uma de suas alunas, a espirituosa e confiante Clara McMillen (Linney), e logo se casa.

A esquisitice da noite de núpcias deles estabelece a mudança do foco profissional. Kinsey percebe que existe pouquíssima informação científica disponível sobre o comportamento sexual contemporâneo e sobre noções convencionais sobre o que eram consideradas as práticas normais.

Ao recrutar uma equipe de pesquisadores, incluindo o bissexual Clyde Martin (o sempre interessante Peter Sarsgaard), o arrogante Wardell Pomeroy (Chris O'Donnell) e o esperto Paul Gebhard (Timothy Hutton), Kinsey dolorosamente os ensina a como fazer as centenas de homens pesquisados se abrirem e falar abertamente sobre suas histórias sexuais.

Ao publicar os resultados, Kinsey e seu trabalho se tornam sensação internacional, mas quando lança a continuação do relatório sobre o comportamento sexual feminino, o país está mergulhado na paranóia da Guerra Fria e seus achados são recebidos com revolta.

Como resultado da segunda parte de seus estudos, Kinsey perde financiamento e, embora esteja mais obcecado do que nunca, sua saúde começa a se deteriorar.

Mas o retrato está longe de ser deprimente. A relação vibrante de Neeson e Linney é o coração e alma dessa produção filmada com dinamismo.

Kinsey pode ter tido milhares e milhares de páginas de informação sobre sexo à sua disposição, mas ele também sabia que não havia fórmula científica disponível para medir a profundidade do amor verdadeiro e duradouro.

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