Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Levantamento mostra que rodovias são locais freqüentes de abusos sexuais

Quarta, 19 de Maio de 2004 às 00:04, por: CdB

Entre uma cidade e outra, nas rodovias, jovens são explorados sexualmente. Um levantamento mostrou que entre janeiro e março de 2004, 33,4% de todas as ocorrências registradas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) envolvendo crianças e adolescentes em rodovias tinham conotação sexual.

O levantamento, realizado pelo inspetor da PRF Junie Penna, aponta que um dos grandes problemas de combater a violência sexual é a aceitação da sociedade, que não vê ilegalidade, imoralidade ou ação criminosa em determinadas posturas.

- Não temos condição de estar atuando sem que haja um envolvimento efetivo da sociedade civil organizada, sem que haja a criação de demandas de políticas públicas por parte da sociedade que tem, evidentemente, se dar conta da magnitude do problema - afirmou.

Outra dificuldade levantada é a detenção dos exploradores por ser difícil a caracterização do crime.

Uma pesquisa coordenada pelo Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes (Cecria) de 2001/2002 identificou, no Brasil, 241 rotas terrestres, marítimas e aéreas de exploração sexual. Destas, 131 são rotas internacionais. Dentro do país, foi confirmada a ação de redes de exploração em todas as regiões brasileiras, mas a maior concentração de casos está no Norte e no Nordeste.

A maioria das vítimas do tráfico são mulheres e adolescentes entre 15 e 25 anos. o grupo mais atingido é o de meninas com idade entre 15 a 17 anos. O perfil das vítimas mostra que elas geralmente vêm de famílias de baixa renda e escolaridade, habitam a periferia de espaços urbanos, moram com familiares e, em muitos casos, já sofreram algum tipo de violência sexual dentro de casa.

Na última terça-feira foi entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um Manifesto contra Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil. O documento contém 65 mil assinaturas de profissionais e empresários do setor dos transportes que se comprometeram a combater o crime.
A coordenadora do Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Seste/ Senat), Norma Avelar, defende a 'utilização da força desse setor contra a exploração sexual infanto-juvenil'.

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