O ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa, confirmou que levou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva suas preocupações sobre a privatização da Eletropaulo, mas em nenhum momento falou em corrupção ou que o banco corria risco de falência.
"A privatização foi tão mal feita, que na época mandamos todo o processo para o TCU (Tribunal de Contas da União) examinar, que envolve suspeita de má gestão e não cumprimento de normas, e está lá até hoje", informou um assessor de Lessa.
Lessa deixou a presidência do BNDES em outubro do ano passado, após conflitos com membros do governo.
Na quinta-feira, Lula contou em discurso que evitou a divulgação e apuração de irregularidades em uma estatal, após denúncias de seu dirigente feitas no início do governo.
A estatal, que o presidente não informou qual seria, estaria quebrada após um processo de corrupção na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
A AES recebeu financiamento do BNDES para comprar a Eletropaulo na sua privatização, em 1998, dando como garantia as ações da distribuidora de energia paulista.
Durante o governo Fernando Henrique, a AES deixou de pagar as parcelas ao banco e a dívida foi sendo rolada a cada ano.
Com o novo governo e a entrada de Carlos Lessa no BNDES, que desde o início criticou irregularidades encontradas no banco e afirmou que iria tirar os esqueletos do armário, a dívida foi provisionada e se traduziu em prejuízo de 1,9 bilhão de reais no BNDES até setembro de 2003.
Um acordo foi feito no final daquele ano com a AES, depois de uma tensa negociação, no qual a norte-americana pagou a dívida com ações das suas empresas no Brasil e tornou o BNDES seu sócio. O banco acabou fechando 2003 com lucro recorde de 1 bilhão de reais.
As declarações do presidente Lula causaram reação entre políticos do PSDB, que ameaçam ir à Justiça contra ele.