Ufa! Que ritmo! Começaram as grandes festas, a onda vem com o carrilhão de feriados que antecedem o Natal, chega no Revellion, volta no refluxo das férias de verão em janeiro, que é tudo de bom e se entrega ao Carnaval. Só assim, então, começamos o ano de 2008, com a volta às aulas.
Sou uma pesquisadora, quem me conhece percebe a alegria de sempre estar com um livro, uma revista, ou o note book conectado em coisas do mundo do vinho. Com isso vou garimpando preciosidades, encontrando pepitas de enófilos conceituados, sites interessantes, referências desde os confins desse planeta até a terrinha, com curiosidade e artigos premiados. Tenho tudo armazenado e minhas fontes de pesquisa estão disponíveis aos enoamigos, para pegar carona nessa viagem maravilhosa ao mundo do vinho.
Nessas andanças, descobri num cantinho do mundo das lendas do vinho, que ora reparto com meus queridos leitores, para acrescentar aos bons papos, degustando boas taças, rindo e enocongregando, unidos num só “copo”!!!
Uma lenda grega atribui a descoberta da videira a um pastor, Estáfilo, que, ao procurar uma cabra perdida, encontrou-a comendo parras (folha de videira). Curioso, ele colheu o fruto dessa planta, até então desconhecida, e levou-os ao seu patrão, Oinos, que deles extraiu um sumo cujo sabor melhorou com o tempo. Por isso, em grego, a videira é conhecida por staphyle, e o vinho por oinos.
Conta outra lenda que na Pérsia o Rei Djemchid se encontrava refestelado à sombra de sua tenda, observando o treino de seus arqueiros, quando seu olhar foi atraído por uma cena: uma grande ave contorcia-se envolvida por uma enorme serpente, que lentamente a sufocava. O rei imediatamente deu ordem a um arqueiro para que atirasse e com um tiro certeiro uma flecha atingiu a cabeça da serpente, sem que a ave fosse atingida. Esta liberta, voou até os pés do soberano, e ali deixou cair umas sementes, que este mandou semear. Delas nasceu uma viçosa planta que deu frutos em abundância, a videira.
O rei bebia freqüentemente do sumo desse fruto. Um dia, porém achando-os amargo, mandou coloca-los à parte e alguns meses depois, uma bela escrava, favorita do rei, encontrando-se possuída de fortes dores de cabeça, desejou morrer e buscando um veneno, encontrou o sumo colocado a parte pelo rei, considerando que ira morrer o bebeu. Após fazê-lo caiu em sono profundo (o que não conseguia há dias por causa das fortes dores de cabeça) e ao acordar estava curada, sem dor alguma. A nova chegou aos ouvidos do rei, que promoveu aquele vinho à categoria de bebida do seu povo, batizando-o de Darou-é-Shah, o remédio do rei.
Quando Cambises, descente do Rei Djemchid, fundou Persépolis, os viticultores plantaram vinhas ao redor da cidade, as quais deram origem ao célebre vinho de Shiraz. A vinha era tratada com enorme cuidado e dedicação, e o mosto fermentava em grandes recipientes de cento e sessenta litros, chamado de guarabares. Foi esse vinho de Shiraz que ajudou a dar coragem aos soldados de Cambises, na conquista do fabuloso Egito.
A uva Shiraz encontrou na Austrália, o lugar de excelência para mostrar toda a sua potencia. É a casta mais cultivada do país que atinge sabores diferenciados pelo terroir das regiões: no Vale do Hunter tem o sabor de lápis carbonizado, de chocolate no Vale do Barossa e a pimenta preta nas regiões frias de Macedon, no Estado de Victoria. A uva Shiraz é utilizada pela maioria dos produtores australianos, inclusive produzindo espumantes. Em termos gerais o Shiraz tem em regra um sabor levemente doce e pode atingir níveis elevados de álcool. Uma grande sugestão é o Heartland Directory’s Cut Shiraz 2005 (Langhorn Creek/Austrália), assinado pelo conceituado enólogo Bem Glaetzer.
Foi degustado entre amigos, da maneira certa, com clareza e alegria da expectativa do belíssimo fim de ano, numa das muitas despedidas de 2007 com pretexto para brindar. Nele encontramos as
Lendas do Vinho
Ufa! Que ritmo! Começaram as grandes festas. (Leia Mais)
Segunda, 17 de Dezembro de 2007 às 14:32, por: CdB