Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2026

[Lembrar é Resistir] Após críticas, governo muda grupo de buscas do Araguaia

Sexta, 13 de Maio de 2011 às 00:35, por: CdB

Por JOÃO CARLOS MAGALHÃES 09/05/2011 às 21:46

Conforme documento da Marinha revelado em março, havia a determinação prévia de matar os integrantes da guerrilha do Araguaia, e não apenas derrotar os militantes.

Quase dois anos depois de buscas infrutíferas e críticas sobre sua isenção, o grupo governamental que procura ossadas de mortos da guerrilha do Araguaia (1972-1975) será reforçado.

Criado por determinação judicial em 2009, ele passará a ser coordenado também pela Secretaria de Direitos Humanos e pelo Ministério da Justiça.

Até agora, o grupo era chefiado apenas pelo Ministério da Defesa, o que sempre gerou desconforto em parte dos familiares dos guerrilheiros.

Para eles, por estar ligado ao Exército, que há 40 anos combateu os militantes de esquerda na região do sul do Pará, esse ministério não tinha independência para coordenar sozinho o grupo --versão negada pela pasta.

Por isso, esses familiares pediam uma participação maior da Secretaria de Direitos Humanos.

A conjunção de pastas deve proporcionar mais dinheiro, pessoal e capacidade operacional ao grupo, que, apesar de diversas expedições à região, não achou restos mortais comprovadamente de guerrilheiros.

Durante a cerimônia de assinatura da portaria que oficializou a nova estrutura do grupo, não foram detalhadas como ocorrerão, na prática, essas mudanças.

Nelson Jobim (Defesa) afirmou que a busca ganhará "musculatura política".

Maria do Rosário (Direitos Humanos) disse que as ações do governo Dilma Rousseff visam produzir "respostas" sobre as ações do Estado durante a ditadura, mas não a "vingança" contra os militares.

Maior foco armado contra a ditadura, a guerrilha foi organizada pelo PC do B e levou à morte de aproximadamente 70 de seus participantes. A busca pelas ossadas remonta à década de 1980. Há a suspeita de que os militares fizeram uma "operação limpeza" para impedir a localização dos corpos enterrados na região.

Conforme documento da Marinha revelado em março, havia a determinação prévia de matar os integrantes da guerrilha do Araguaia, e não apenas derrotar os militantes.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos já condenou o Brasil a identificar e punir os responsáveis pelas mortes.

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