Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Leilões do Tesouro controlam liquidez e orientam semana

Segunda, 12 de Julho de 2004 às 07:40, por: CdB

O Tesouro dará importante contribuição para o controle da oferta de moeda na virada para a segunda quizena de julho - quando o vencimento de dívida cambial despejará cerca de 2,5 bilhões de reais na economia.

A dívida cambial - integralmente resgatada pelo Banco Central (BC) na quinta-feira - será a principal fonte de expansão de recursos nos próximos dias e poderá justificar a alta do dólar. Maior pressão do dólar na quarta-feira não é descartada porque 82% da dívida cambial é composta por títulos convencionais (NBC-E e NTN-D), que serão convertidos para reais e têm seu valor corrigido pela variação da moeda.

Quanto mais alta a taxa média do dólar da véspera do vencimento da dívida, maior o montante de reais devido pelo governo aos detentores das cambiais. No entanto, pela segunda semana consecutiva, não há vencimento de títulos públicos denominados em reais. Mas a agenda prevê três leilões do Tesouro para a terça-feira.

Os recursos referentes ao pagamento dessas operações significará, portanto, enxugamento de moeda que transita no curto prazo e que segue fermentada. O estoque de moeda aplicada em operações fechadas diretamente entre os bancos e o BC - com prazo máximo de três meses - alcança R$ 101 bilhões neste início de julho.

Dados do BC confirmam um salto na liquidez. A posição de financiamento líquido dos títulos públicos federais passou da média diária de R$ 70 bilhões em maio para R$ 80 bilhões em junho e R$ 97 bilhões em julho. Na primeira semana do mês, o Tesouro já vendeu quase R$ 15 bilhões em novos títulos e esta colocação deve superar R$ 23 bilhões na próxima semana.

Ponto de equilíbrio

Os leilões previstos são de Letras do Tesouro Nacional (LTN), Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e Notas do Tesouro Nacional da série B (NTN-B) - indexadas ao IPCA. O sucesso das ofertas do Tesouro é confirmado pela queda persistente das taxas de retorno dos títulos há semanas.

Mas esta tendência de baixa pode estar próxima do esgotamento e por dois motivos: as projeções de juros futuros testam um ponto de equilíbrio e os fundos de investimentos não estão atraindo novos depósitos no momento.

Marcelo D'Agosto, sócio-diretor do site Fortuna, especializado na monitoração do setor, identificou resgate líquido de 845 milhões de reais no mês (até o dia 8).

- O movimento dos investidores continua localizado, com basicamente dois fundos de renda fixa respondendo pela saída de recursos - explica.

Sem oferta significativa de novos recursos, o diretor do Fortuna acredita que os fundos de investimentos continuam optando por aplicações de recursos em operações (compromissadas) com o BC e, portanto, de curto prazo.

Acomodação à Selic

Se os fundos, maiores detentores de títulos públicos, não elevarem as compras nos leilões do Tesouro previstos para a semana que antecede a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) - prevista para os dias 20 e 21 - as taxas de remuneração dos papéis tendem à estabilidade.

Esta estabilidade pode, inclusive, ser prolongada se for confirmada a expectativa dos bancos de manutenção da Selic em 16% por mais um mês. Em três semanas ocorreu importante acomodação dos juros. A remuneração da LTN com vencimento em 2005 --mais procurada pelas instituições - caiu do patamar de 17% para 16,4% no último leilão. E, na quinta-feira, era negociada a 16,7% no sistema eletrônico (SISBEX).

Mercado secundário

A LFT - corrigida pela Selic - também teve o deságio fortemente reduzido. O papel com vencimento em 2005 era cotado a 0,11% há três semanas e a 0,04% no leilão que o Tesouro fez em 6 de julho. O deságio do papel de 2007, o mais longo colocado à venda, caiu de 0,34% para 0,29%.

Em maio, quando o mercado reagiu negativamente à tentativa de maior alongamento de prazo da dívida mobiliária, essa mesma LFT (2007) foi cotada com deságio próximo a 0,60%.

No mercado secundário, a LFT continua tendo

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