A Agência Nacional do Petróleo (ANP) já conseguiu arrecadar R$ 1,6 bilhão com a venda de 40 dos 87 blocos ofertados até agora na Nona Rodada de Licitações, que ocorre nesta terça-feira e também na quarta-feira no Rio de Janeiro. Até o final do leilão, a agência terá ofertado 271 blocos exploratórios em 14 setores de nove bacias sedimentares (áreas onde são encontrados combustíveis fósseis, como petróleo, gás natural e carvão).
O resultado é recorde e supera em cerca de R$ 600 milhões o R$ 1,08 bilhão arrecadado pela ANP na Sétima Rodada, realizada em 2005. O total arrecadado até agora representa mais que o dobro dos R$ 796,1 milhões exigidos pela ANP como investimento mínimo para a exploração dos blocos leiloados.
Depois de uma pausa, a licitação, que está sendo promovida em um hotel da Barra da Tijuca, zona oeste da cidade, recomeçou. No momento, estão sendo ofertados mais 32 blocos em terra no Recôncavo Baiano.
Estreante nos leilões da ANP, a empresa OGX Petróleo e Gás, do empresário brasileiro Eike Batista, até o momento é a grande vencedora, arrematando 11 blocos. Logo na abertura do leilão, a empresa levou sete dos 17 blocos ofertados em águas rasas da Bacia de Campos, dois dos quais em parceria com a dinamarquesa Maersk.
Grande vencedora dos leilões anteriores, a Petrobras, que prometeu entrar com “apetite” na licitação, levou apenas sete blocos, todos em consórcio. A maioria das parcerias foi firmada com a Companhia Vale do Rio Doce (estreante no leilão), mas a estatal também disputa blocos associadas a outras empresas, como a portuguesa Petrogral, a colombiana Ecopetrol e a norte-americana Devon.
Também estreante nas rodadas da ANP, a brasileira STR Projetos levou sete dos dez blocos ofertados pela ANP na Bacia do Parnaíba, no Piauí. Os outros dois blocos foram arrematados pelo consórcio formado pela Petrobras, Vale do Rio Doce e Devon.
Antes da abertura do leilão, o ministro de Minas e Energia, Nelson Hubner, e o diretor-geral da ANP ressaltaram em seus discursos que a retirada de 41 blocos exploratórios entre Santa Catarina e Espírito Santo, na mesma profundidade que a reserva com capacidade de 5 bilhões a 8 bilhões de barris descoberta pela Petrobras, no campo de Tupi, na Bacia de Santos, não trouxe instabilidade para os investidores.
— Não há instabilidade regulatória. A retirada dos blocos próximos a Tupi foi para aprimorar a legislação do setor”, argumentou. “O governo tem de estar atento à situação, mas precisamos de tempo para fazermos uma reflexão e sabermos como lidar com a nova reserva. —, disse Hubner.
Segundo Hubner, a retirada dos blocos pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) foi necessária para que o governo tenha tempo para definir o tamanho real das reservas situadas abaixo da camada de sal (entre 5 mil e 7 mil metros de profundidade). O ministro disse que, apesar da redução do número de blocos ofertados, o leilão está sendo concorrido.
— Continuamos tendo a expectativa de que haja realmente uma disputa bastante saudável por esses blocos. Nas regiões onde já há conhecimentos razoáveis [de existência de petróleo ou gás], isso já está ocorrendo —, alegou.
Leilão de blocos de petróleo e gás natural da ANP tem arrecadação recorde
Terça, 27 de Novembro de 2007 às 15:39, por: CdB