O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão pela passagem do Dia do Trabalhador. Leia abaixo a íntegra:
- Meus amigos e minhas amigas,
companheiros e companheiras,
Amanhã é o primeiro de maio. Um dia extremamente importante no mundo inteiro - o Dia do Trabalhador. O dia em que homenageamos todos aqueles que constroem as ações, que legitimamente buscam justiça, reconhecimento e, sobretudo, melhores condições de vida para si e para sua família.
O primeiro de maio é e será sempre um dia muito importante na minha vida, é como se fosse o próprio dia de meu aniversário. Afinal, não faz muito tempo, eu estava em cima de um palanque ao lado de dezenas de outros companheiros com microfone na mão, reivindicando e criticando governantes insensíveis, que, logo após a eleição, davam as costas ao trabalhador.
Compreendo, portanto, melhor do que qualquer outro presidente a legitimidade e a importância das reivindicações feitas neste dia. E falo nisso com a visão de quem já foi sindicalista. E hoje é o presidente da República. E que tem por isso mesmo a exata dimensão do problema, vista pelos dois lados. Hoje sei que é possível construir sim construir soluções para que os trabalhadores brasileiros possam aumentar sua renda e ter mais tranqüilidade e mais segurança no seu emprego.
Mas hoje sei também, por outro lado, que isso não pode ser conseguido da noite para o dia. Todas as soluções sérias, verdadeiras e, sobretudo, seguras passam por etapas que tem que ser construídas passo-a-passo, lado-a-lado, pelos trabalhadores e pelo governo. Não há nenhuma hipótese possível de se construir avanços duradouros e conquistas verdadeiras para o Brasil e para o trabalhador brasileiro sem o crescimento sólido e seguro do nosso país e sem sua economia em ordem, com a inflação sob controle e as contas públicas equilibradas.
Como não canso de repetir: não existe mágica. Toda grande conquista exige esforços e perseverança. Quantos anos gritamos nas ruas - "Fora FMI"? Eram gritos de milhões de brasileiros que como eu gostariam de o nosso país livre de uma velha e crônica dependência econômica. Em dois anos como presidente descobri que era possível sim, sem traumas nem rupturas, realizar esse sonho de toda uma geração, mas que isso só seria possível se antes conseguíssemos fortalecer nosso país, conquistar credibilidade internacional e retomar o crescimento econômico, aumentando as exportações e equilibrando as contas públicas. O resultado desse esforço foi que em apenas dois anos conseguimos sair do FMI de cabeça erguida e pela porta da frente, passando o Brasil a andar sem muletas e com as sua próprias pernas, fato elogiado pelo mundo inteiro.
A partir de amanhã entra em vigor em todo o país o novo salário mínimo no valor de R$ 300. Um valor significativo com um ganho real acima da inflação, como há muito tempo não acontecia. E é importante também levarmos em conta que hoje a inflação está sob controle, o que aumenta substancialmente o poder de compra do salário mínimo. Entretanto, tenho plena consciência de que ainda não é o aumento ideal. Deus sabe como gostaria de estar aqui agora anunciando um salário mínimo maior. Mas isso ainda não pode ser feito nesse momento, pois desequilibraria as contas da previdência que hoje já carrega um déficit de R$ 37 bilhões, jogando por água abaixo tudo que já conseguimos nesses dois anos de governo.
Garanto a vocês que qualquer brasileiro responsável, sério e verdadeiramente comprometido com o trabalhador brasileiro, no meu lugar, faria exatamente o que estou fazendo. Quero um salário mínimo crescendo sempre e todos os anos, sem retrocessos, nem crises para o nosso país como tantas que já aconteceram no passado. Vejam, tenho apenas dois anos e quatro meses de governo. É sempre bom lembrar isso. E nesse curto espaço de tempo muita coisa já mudou nesse país. Dois milhões e quatrocentos mil empregos formais
Leia o pronunciamento do presidente Lula em rede nacional
Sábado, 30 de Abril de 2005 às 18:52, por: CdB