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Quarta, 29 de Junho de 2011 às 00:25, por: CdB

Pobreza é um dos principais desafios do próximo presidente peruano

Bairros fiéis aos candidatos à presidência do Peru Keiko Fujimori e Ollanta Humala, na grande Lima, são exemplos da pobreza que atinge cerca de 35% da população. Segundo analistas, a redução da pobreza é maior desafio do próximo presidente do país.

O segundo turno das eleições peruanas acontecerá no próximo domingo. Até agora, pesquisas apontam um empate técnico entre Fujimori e Humala.

A peruana Ilda Alíaga contou à BBC Brasil como foi morar no Assentamento Humano Susana Higuchi, uma favela a cerca de 40 quilômetros do centro de Lima que leva o nome da mãe da candidata conservadora Keiko Fujimori.

?Cheguei com a minha família durante a invasão, já faz 18 anos. Não tinha nada aqui. Mas logo depois que invadimos, o ‘Chino’ veio nos ajudar?, diz Ilda, em referência ao pai de Keiko, o ex-presidente Alberto Fujimori.

Todo de terra batida e sem saneamento nem água encanada, o local fica entre a rodovia e morros sem nenhuma vegetação - no topo de um deles, se lê o nome de Keiko escrito em letras maiúsculas. Por ali, a grande maioria vota na candidata de direita.

O mesmo acontece nos ?assentamentos humanos? vizinhos, que se chamam Kenji Fujimori, em homenagem ao irmão da candidata, e Alberto Fujimori, que fica a cerca de 20 minutos seguindo pela mesma estrada.

`El Chino´

Sandra Trucios (de rosa) diz que está na hora de uma mulher governar o Peru

Ilda mal respira entre um argumento e outro usado na defesa dos Fujimoris. ?Por mais que ’el Chino’ tenha roubado, ele fez coisas por nós. Que outro presidente veio até aqui? Nenhum?, diz, lembrando que Keiko havia feito campanha por ali algumas semanas antes.

Ao lado de Ilda, suas vizinhas a ajudam a lembrar os motivos pelos quais todas ali votarão na candidata conservadora. Sandra Trucios, que é vendedora ambulante, diz que já passou da hora de uma mulher governar o Peru.

?Os homens estiveram no poder e não fizeram nada. É só ver (o presidente) Allan García e (o ex-presidente, Alejandro) Toledo. São muito machões. Agora é a vez de alguém humilde e sensível como Keiko.?

Sandra diz ainda que não se importará se Keiko decidir libertar seu pai, preso em 2009 e cumprindo uma pena de 25 anos por violação dos direitos humanos no país.

?Não tem nenhum problema porque ele já está velho. O problema é se soltarem o irmão de Humala, que ainda é jovem e por isso traz perigo?.

Pró-Humala

O contraponto ao assentamento está no outro extremo da grande Lima. Quase 30 quilômetros ao sul da cidade fica o bairro de Villa El Salvador, onde grande parte dos moradores é pró-Ollanta Humala, candidato de centro-esquerda à presidência peruana.

?Vou votar no Humala porque ele vai reduzir o preço do gás e dos alimentos, pois agora todo o dia ele sobe um pouco e não conseguimos mais pagar nada?, diz o vendedor ambulante Daniel Vargas. ?São coisas que produzimos aqui no país, então não tem porque estar tão caro.?

Enquanto vende caldos feitos de quinua em sua barraca, Vargas diz ainda ter a certeza de que é Humala quem vai conseguir acabar com o crime na região.

O mototaxista Adam Oliveira diz que Humalla significa uma mudança positiva. ?As propostas dele são mais claras e mais confiáveis. Ollanta vai investir mais.? De dentro da cabine da moto reformada, ele diz ainda que sua escolha representa também um voto contra Keiko, já que não quer vê-la repetindo a política do pai.

Adam Oliveira diz que prefere as propostas políticas de Ollanta Humala

Villa El Salvador surgiu entre as décadas de 60 e 70, povoada pelos migrantes vindos das zonas rurais. Um década depois, foi dali que surgiram alguns importantes dirigentes de esquerda do Peru.

Atualmente, porém, o movimento esquerdista vem perdendo força no bairro. Mesmo assim, foi ali o local escolhido por Humala para celebrar, já na campanha do segundo turno, o aniversário de sua mulher, Nadine Heredia.

Falta de propostas

Em seu último relatório sobre o Peru, Banco Mundial elogiou as taxas de crescimento peruano, mas fez um alerta sobre os desafios para o próximo presidente.

"O Peru tem uma oportunidade histórica de consolidar seu crescimento econômico e garantir que seus frutos sejam compartilhados entre toda a população", disse o documento.

Mas na opinião da socióloga Cynthia Sanborn, da Universidade do Pacífico, nenhum dos dois candidatos tem propostas sérias e viáveis para combater a pobreza e a desigualdade.

?Creio que um governo de Keiko repetirá a proposta populista e clientelista de seu pai, com programas para aliviar, mas não para eliminar a pobreza ou redistribuir com seriedade a entrada de capital.?

Para ela, Humala dá mais ênfase na partilha da renda no nível macroeconômico ?Mas ele também não apresentou propostas claras sobre suas políticas sociais.?

?Ambos prometem aumentar o salário mínimo, por exemplo, mas não dizem como vão implementar isso, nem têm alternativas para a grande maioria dos trabalhadores peruanos, que vivem de empregos informais.?

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