Rio de Janeiro, 08 de Agosto de 2026

Lei tipificando como crime discriminação contra grupo LGBT ajudaria na criação de políticas públicas, diz delegada

Sexta, 25 de Março de 2011 às 13:35, por: CdB

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A criação de leis que especifiquem como crime a discriminação contra lésbicas, gays, travestis e transexuais (LGBT) ajudaria na elaboração de políticas públicas contra o preconceito, além de diminuir a sensação de impunidade. A avaliação é da subsecretária de Ensino e Programas da Secretaria de Segurança do Estado do Rio, a delegada Jéssica Oliveira de Almeida.

“As leis seriam um grande instrumento para enfrentar o problema. Facilitaria o trabalho de tipificação de realidades que vivemos cotidianamente e que não são normatizadas no país. Sem essas leis, não há encaminhamento específico”, afirmou Jéssica Oliveira, hoje (25), à Agência Brasil, durante o 1º Congresso Nacional de Direito Homoafetivo, no Rio.

De acordo com a subsecretária, a criminalização da homofobia também permitiria pesquisar melhor os casos e proteger as vítimas potenciais. Jéssica Oliveira chama atenção para a gravidade dos crimes praticados contra pessoas LGBT, que, quase sempre, são lesão corporal e homicídio. “São crimes que lesam a integridade física ou tiram a vida das pessoas, principalmente de travestis e transexuais”, disse a delegada.

Numa iniciativa pioneira no país, para enfrentar a falta de dados sobre a violência com motivação homofóbica, Jéssica Oliveira propôs a inclusão pela Polícia Civil do Rio, da classificação “homofobia” nos boletins de ocorrência com base no relato da situação de violência. Paralelamente, a secretaria implementou uma capacitação para os agentes e para os atendentes.

Há dois anos em funcionamento, o programa das delegacias complementa o atendimento da área de assistência social, feito por centros de referência e serviços de promoção da cidadania no estado. Para reforçar a rede, durante o congresso, foi confirmada a inauguração, em abril, de um centro de referência LGBT em Duque de Caxias, na baixada fluminense.

De acordo com o superintendente estadual de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, Claudio Nascimento, mais cinco centros serão inaugurados até o final de 2011, sendo um deles na Região dos Lagos e outro em Nova Iguaçu. No total, para a construção das unidades, serão investidos R$ 4 milhões.

Perguntada sobre os dados da Região dos Lagos, que é a segunda área mais violenta para a população LGBT no estado, depois da capital, a delegada destacou que o ativismo de grupos gays, em Cabo Frio, pode se refletir no aumento dos números de ocorrência.

“O município [Cabo Frio] tem índices altos. Lá, existe uma militância gay muito ativa. Por um lado que esses ativistas ajudam a informar a população sobre os seus direitos, sobre a importância de ir na polícia fazer uma queixa, isso os deixa mais vulneráveis a violência”, comentou a subsecretária. Ela estima que as estatísticas de crimes contra a população LGBT em Duque de Caxias sejam altas, mas afirmou que a secretaria não tem dados oficiais porque o município ainda não está incluído no programa de informatização da Polícia Civil.

Edição: Lana Cristina

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