Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2026

Lehman reacende medo de quebra nos EUA e índice desaba

Terça, 09 de Setembro de 2008 às 15:28, por: CdB

Não bastasse a persistente correção nos preços das commodities, os temores de insolvência do banco norte-americano Lehman Brothers também azedaram o ânimo dos investidores da Bolsa de Valores de São Paulo, que fechou com a terceira maior queda do ano.

O Ibovespa desabou 4,5% nesta terça-feira, para 48.435 pontos, chegando ao menor nível desde 16 de agosto do ano passado. O giro financeiro foi de 5,04 bilhões de reais.

Para a bolsa paulista, prevaleceu o pior dos mundos. Por um lado, a perspectiva de desaceleração econômica internacional manteve os investidores ávidos para sair de ações ligadas a commodities e, de outro, o medo de quebra de bancos nos Estados Unidos evaporou o otimismo da véspera em Wall Street.

Traduzindo em números: o índice Dow Jones recuou 2,4%, enquanto o Standard & Poor's 500 teve queda de 3,4 por cento. Ao mesmo tempo, o preço do barril do petróleo baixou aos 102 dólares em Nova York, o menor preço em cinco meses.

- Esse quadro acentuou o processo de aversão a risco, com os investidores saindo de ações e correndo para a renda fixa - disse Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora.

Das 66 ações do Ibovespa, 58 fecharam o dia no vermelho.

Dentre as piores, apareceram as blue chips. Petrobras despencou 6,3%, para 28,35 reais. Vale cedeu 4,3%, a 33,34 reais. BM&F Bovespa mergulhou 9,5%, para 9,20 reais.

Com uma busca tão frenética por liquidez imediata, os investidores fecharam os olhos a notícias potencialmente positivas para empresas da Bovespa. A Vale confirmou que está negociando um aumento dos preços de seu minério para clientes na Ásia e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) teve melhora do rating pela agência Moody's na véspera.

Distância dos fundamentos

Segundo Régis Abreu, diretor de gestão da Mercatto, o movimento de aversão ao risco está deixando o valor de mercado das empresas nacionais cada vez mais distante dos fundamentos.

- Olhando friamente os números (das empresas), o cenário é extremamente positivo. Mas, por enquanto, as condições de mercado indicam que a volatilidade pode se estender um pouco mais - disse.

Como os fundamentos fortes têm funcionado cada vez menos para sustentar os preços dos papéis, os profissionais de mercado estão se agarrando mais a indicadores grafistas. E as notícias não são boas.

- Os índices apontam que, no curto prazo, o Ibovespa pode cair até os 45 mil pontos - acrescentou Bandeira.

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