Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2026

Legado de Noel Rosa ainda permanece na atual música brasileira

Um dos mais importantes compositores da música popular brasileira, Noel Rosa completaria 100 anos em dezembro deste ano. Em comemoração à data, a Fundação Casa de Rui Barbosa, em parceria com o Museu da Imagem e do Som (MIS), programou um seminário para analisar o legado deste carioca que, apesar de ter morrido muito jovem, aos 27 anos, contribuiu de forma definitiva para legitimação do samba como gênero representativo do país.

Terça, 30 de Novembro de 2010 às 10:29, por: CdB
Um dos mais importantes compositores da música popular brasileira, Noel Rosa completaria 100 anos em dezembro deste ano. Em comemoração à data, a Fundação Casa de Rui Barbosa, em parceria com o Museu da Imagem e do Som (MIS), programou um seminário para analisar o legado deste carioca que, apesar de ter morrido muito jovem, aos 27 anos, contribuiu de forma definitiva para legitimação do samba como gênero representativo do país. A opinião é do jornalista e pesquisador Sérgio Cabral, que participou na tarde desta segunda-feira de uma mesa-redonda ao lado do pesquisador musical Omar Jubran, organizador da Coleção Noel Rosa. Segundo Cabral, Noel Rosa tinha faro para uma estética nova e se identificava com o povo. – Ele frequentava morros, tinha parceiros musicais humildes. O legado de Noel Rosa é o legado de todo grande criador. Noel Rosa criou uma escola e muita gente embarcou nessa escola, nesse estilo. Seu legado permanece na atual música popular brasileira sem dúvida nenhuma. Se Noel reencarnasse hoje ele seria o Chico Buarque –, compara o jornalista. Jubran lembrou os percalços de sua jornada para recuperar e remasterizar os fonogramas do compositor, sem comprometer a sonoridade, em uma época em que a digitalização era muito mais complicada do que nos dias de hoje. O trabalho foi feito há cerca de dez anos e resultou em sete CDs duplos. – Cheguei a colar um vinil que estava quebrado em três partes com Super Bonder, pois aquela era a única cópia que existia de uma determinada composição. Fiquei com medo de não dar certo, de estragar a faixa, mas era o único jeito. Trabalhei durante um mês nesse vinil para que ficasse tudo perfeito. Até hoje alguns técnicos de som me perguntam qual é essa música, mas eu não digo. Acabou virando uma pegadinha –, conta Jubran, lembrando que recorreu a colecionadores para achar todo o acervo. De acordo com a diretora do Centro de Pesquisa da Casa de Rui Barbosa, Rachel Valença, que coordenou a mesa, a procura pelo seminário foi maior do que o esperado, com 120 inscritos. A parceria com o MIS foi uma maneira de juntar a parte de pesquisa acadêmica, da área de história e de filologia, com o acervo sonoro do Museu da Imagem e do Som. – Não podíamos deixar passar em branco esta data. Fizemos esse seminário aqui na Casa de Rui Barbosa porque Noel Rosa foi contemporâneo de Rui. O ano de 1910 foi um ano muito importante para Rui Barbosa, pois ele foi candidato a presidente e é nesse momento que Noel vem ao mundo. Achamos que seria interessante juntar isso, embora Rui não tenha conhecido Noel, porque ele morreu quando o compositor era criança. Nossa ideia foi estudar o contexto do Rio na época. Que cidade era esta onde Noel nasceu e Rui viveu  –, detalha.
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