O assassinato do lavrador José Wilson Coelho, mais conhecido por Gargural, levou a polícia e entidades de direitos humanos do Piauí a ficarem estarrecidas e denunciarem nacionalmente sua morte. Ele foi morto na madrugada do último sábado (10) na cidade piauiense de Anísio de Abreu. De acordo com laudos periciais, a vítima foi torturada e morta por afogamento dentro da delegacia daquela cidade que nunca havia registrado um homicídio em sua história. Após o crime, os policiais acusados trancaram a delegacia e fugiram. Conforme Raimundo Coelho, tio da vítima, o seu sobrinho foi preso na noite de sexta-feira passada (9) quando participava de um evento em Anísio de Abreu. O agricultor, ao sair do evento, tentou retornar novamente, sendo impedido e obrigado a pagar ingresso outra vez. Como teria se recusado a desembolsar outra entrada, os seguranças do local chamaram os policiais da cidade, que prenderam Gargural. No momento da detenção, a vítima estava embriagada. Durante a prisão, realizada pelos policiais militares identificados por Valdirene, Severino e Valdir, o lavrador não aceitou ser algemado. Enquanto discutiam, o lavrador se desvencilhou dos policiais, mas, em seguida, foi pego novamente. - Ele foi levado para a delegacia e passou a madrugada tendo a cabeça colocada em um tambor de água. Isso foi um castigo porque ele fugiu dos policiais. Fizeram tanto com ele que o mataram. Há mais de 50 testemunhas do que a polícia fez com meu sobrinho - disse Raimundo Coelho. Os policiais de Anísio de Abreu ainda levaram José Wilson para uma clínica da cidade, mas o lavrador já chegou morto. Após constatarem que tinha falecido, os três policiais acusados pelo crime fecharam a delegacia e fugiram da cidade. O corpo de José Wilson Coelho foi levado para Teresina, capital do Estado, para realização de necrópsia. Conforme o advogado Décio Solano, da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PI, o corpo do lavrador tinha muitas marcas de violência, sendo constatada morte por tortura. "Não podemos aceitar esse ato", lamentou o advogado. O comandante da Polícia Militar do Piauí, coronel Edvaldo Marques, determinou que seja instaurado inquérito policial para apurar a participação dos policiais militares no assassinato de Gargural. Com o crime e a fuga, a cidade ficou sem policiamento, uma vez que eles eram os únicos representantes da lei no município.
Lavrador morre após tortura em delegacia do Piauí
Domingo, 11 de Maio de 2003 às 13:12, por: CdB