Lava Jato: vice-presidente do Senado sai em defesa do irmão
Em delação premiada, o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa afirmou que R$ 300 mil foram dados à campanha eleitoral de Tião Viana ao Senado em 2010.
Paulo Roberto Costa afirmou que R$ 300 mil foram dados à campanha eleitoral de Tião Viana ao Senado em 2010
O vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), saiu em defesa do irmão, Tião Viana (PT), governador do Acre, nesta sexta-feira. Em delação premiada, o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa afirmou que R$ 300 mil foram dados à campanha eleitoral de Tião Viana ao Senado em 2010.
Em discurso na tribuna do Senado, Jorge Viana fez um apelo ao relator do caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Luiz Felipe Salomão, que na quinta-feira, autorizou abertura de processo de investigação de Tião Viana. O senador pediu que o ministro dê prioridade ao processo que envolve Tião Viana.
- É só o que o governador Tião quer. Ele só quer isto: que o caso dele seja apreciado o quanto antes. Ele vai pedir, ele vai pedir para esclarecer. Ele está pedindo para o caso dele ser apreciado. E se alguma culpa tiver, não haverá problema. Mas nós temos consciência, tranquilidade, certeza de que o nome de Tião Viana, ex-senador, governador do Acre, não deveria estar nesse mar de lama. Eu sei que há outros inocentes. Mas eu sei também que há culpados - disse.
Para o vice-presidente do Senado, o pedido de investigação contra Tião Viana foi feito injustamente.
- Esse processo poderia ter sido resolvido com um pedido de informação ao governador, com uma sindicância, mas, se a Justiça decidiu abrir inquérito, que não é condenação, e muito menos baseada na posição de dois criminosos que confessaram crimes – um diz uma coisa, outro diz outra coisa completamente diferente, nós confiamos na Justiça - ressaltou.
Jorge Viana desqualificou as acusações feitas por Paulo Roberto Costa, leu a nota divulgada ontem pelo irmão e ressaltou que a doção foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Acre.
- O Brasil inteiro precisa tomar cuidado, para que se possa apurar, não deixando nenhuma possibilidade para a impunidade, não deixando que nada escape da espada da Justiça, mas temos de tomar cuidado, quando estamos lidando com delação premiada. Essa coisa já é esquisita, “delação premiada”. Então, você ganha prêmio, se apontar o dedo contra alguém. É muito perigoso isso, porque se vai lidar com um bandido, com um criminoso, que pode ganhar muito, se apontar o dedo contra alguém - criticou.
Abertura de inquérito
Na quinta-feira O ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), abriu inquérito para investigar os governadores do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e do Acre, Tião Viana (PT). O pedido de abertura de investigação foi enviado ao tribunal pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com base em depoimentos de delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, investigado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Eles são citados por Costa, por terem recebido, segundo o ex-diretor, pagamentos oriundos do esquema de desvios de recursos da Petrobras.
Além de Tião Viana, também vão ser investigados o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e Regis Fichtner, ex-secretário da Casa Civil do governo fluminense. Em depoimento de delação premiada prestado no ano passado, Costa disse que atuou para arrecadar doações de caixa 2 para a campanha de Sérgio Cabral, em 2010, entre as empreiteiras que participaram das obras Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em um total de R$ 30 milhões.
O ex-diretor disse que fez contatos com as empresas e pediu que elas fizessem doações. A questão foi decidida em uma reunião entre Costa, Sérgio Cabral, então candidato à reeleição, Luiz Fernando Pezão, vice-governador, e Fishner, "para tratar de contribuições" à campanha.
Paulo Roberto Costa declarou que os pagamentos foram feitos pelas empresas Skanka, Alusa e Techint, além das empreiteiras que participavam do Consórcio Compar, responsável pela obra, que tinha ainda a OAS, Odebrecht e UTC. Segundo o ex-diretor, as empresas do Compar pagaram R$ 15 milhões, e o restante foi dividido entre as demais citadas.
Sobre o governador do Acre, Tião Viana (PT), Costa afirmou que ele recebeu R$ 300 mil para a campanha ao governo do estado em 2010. Segundo o ex-diretor, o valor foi pago pelo doleiro Alberto Youssef.
Costa relatou ainda que o repasse está registrado em uma agenda apreendida na sua casa, pela Polícia Federal, durante as diligências da Operação Lava Jato. Segundo ele, o pagamento foi declarado como "0,3 Tvian". De acordo com o delator, o valor foi contabilizado na “cota do PP”.
Todos os citados negam envolvimento com Paulo Roberto Costa e que tenham recebido pagamentos irregulares.
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