A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira nova fase da Operação Lava Jato, que investiga desvios de recursos na Petrobras. Cerca de 200 agentes federais e servidores da Receita Federal cumprem 62 mandados judiciais em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Bahia e em Santa Catarina.
Ao todo, são 18 mandados de condução coercitiva, um de prisão preventiva, três de prisão temporária e 40 de busca e apreensão. Segundo a PF, a nova fase foi originada a partir da colaboração de um dos investigados, documentos e contratos apreendidos em fases anteriores, além de informações prestadas por uma ex-funcionária de empresa que foi alvo da operação.
Propina a ex-diretores da Petrobras
Em novo depoimento prestado nesta quarta-feira em uma das ações penais da Operação Lava Jato, o ex-consultor da empresa Toyo Setal Júlio Gerin de Camargo confirmou ter pago R$ 15 milhões em propina aos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque, responsáveis pelas diretorias de Abastecimento e Serviços e Engenharia, respectivamente.
De acordo com as declarações de Camargo, que firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público, o valor foi dividido entre os ex-diretores para que o consórcio Ecovap, formado pelas empresas Toyo Japão, OAS e Setal Óleo e Gás, assinasse contrato com a estatal. Segundo ele, os valores destinados a Costa eram depositados em contas no exterior, indicadas pelo doleiro Alberto Youssef.
Em outro depoimento prestado na terça-feira, Júlio Gerin Almeida Camargo confirmou que pagou R$ 12 milhões a Renato Duque. Camargo disse que atuou para garantir que o consórcio formado pela Camargo Correa e a Setal Óleo e Gás assinasse um contrato com a estatal para a ampliação da Refinaria Presidente Getulio Vargas (Repar), em Araucária, no Paraná, obra orçada em R$ 2,4 bilhões.
A equipe de reportagem da Agência Brasil não conseguiu contato com os advogados de Costa e Renato Duque. Em outras denúncias, os advogados de Renato Duque disseram que nunca houve recebimento de propina durante a gestão dele. Paulo Roberto Costa fez acordo de delação premiada no qual indicou como funcionavam os pagamentos ilegais na estatal.
Nesta quinta-feira, a Justiça Federal retomou os depoimentos de testemunhas do esquema de corrupção na Petrobras. O juiz federal Sérgio Moro deve ouvir os depoimentos de funcionários da estatal.