O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio, deputado Alessandro Molon (PT), afirma que oito das 19 mortes no Complexo do Alemão foram causadas por tiros à queima roupa. Segundo ele, os dados vêm de laudos do Instituto Médico Legal (IML). Para Molon, os laudos podem indicar execução.
O deputado encaminhou os laudos para o Ministério Público Estadual, que investiga as circunstâncias em que as mortes ocorreram. A polícia está sendo acusada pelos familiares das vítimas de ter matado inocentes e deixado alguns feridos. Na lista oficial dos mortos por policiais encontram-se três adolescentes de 13, 14 e 16 anos.
Na terça, a Secretaria Especial de Direitos Humanos recebeu um pedido da Secretaria Estadual de Segurança do Rio de Janeiro para que sejam indicados peritos para acompanhar o trabalho de investigação das 19 mortes ocorridas durante a operação nas favelas, ocorrida na última quarta-feira.
Comissão pode pedir exumação de mortos no Alemão
Não está descartada a exumação dos corpos de mortos na megaoperação no dia 27 de junho feita pela polícia no conjunto de favelas do Alemão, no subúrbio do Rio, quando 19 pessoas foram mortas.
A hipótese foi levantada pelo deputado estadual Marcelo Freixo, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, após participar de reunião nesta terça-feira com autoridades da Secretaria de Segurança Pública para discutir possíveis excessos cometidos por policiais durante a ação.
Ao contrário do que estava previsto, Freixo, lideranças das favelas e o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, João Tancredo, foram recebidos pelo subsecretário Márcio Derenne, e não pelo titular da secretaria, José Mariano Beltrame. Participaram também do encontro o ouvidor Sérgio Wigderowitz e o corregedor Gustavo Leite. Na reunião, ficou acertado que peritos independentes, enviados pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, poderão analisar os laudos cadavéricos que devem ficar prontos esta semana.
— Não pode pairar essa dúvida de que houve execução sumária e não auto de resistência. A ouvidoria se comprometeu a encontrar as testemunhas e verificar todas a denúncias, inclusive as reclamações de roubos de celulares e agressões a moradores durante a ação policial. Agora, se com os laudos elaborados ainda houver suspeita de que houve execução, poderemos pedir a exumação para que sejam feitos novos laudos — disse Freixo.
Ao fim da reunião, representantes de movimentos sociais ligados às favelas distribuíram um folheto com a reprodução de uma carta aberta dos moradores criticando a ação da polícia nas comunidades.
No documento, consta o depoimento de uma pessoa que não é identificada. — Eu estava na vizinha com os meus cinco filhos. Lá dentro eles torturaram duas crianças e mataram um homem. Quando pude retornar, minha casa estava revirada, meu guarda roupa destruído, minha geladeira com um tiro. Os policiais levaram também meu aparelho celular. Meus filhos estão traumatizados, não querem ficar mais aqui. Eu vou colocar o barraco à venda —.
Nenhum representante da Secretaria de Segurança Pública quis falar sobre a reunião.