Rio de Janeiro, 06 de Fevereiro de 2026

Laudos do Complexo do Alemão geram polêmica

Sexta, 20 de Julho de 2007 às 07:58, por: CdB

Apesar de não ter recebido, até esta quinta à noite, os laudos das 19 mortes do confronto entre policiais e traficantes no Complexo do Alemão,  a Comissão Especial de Direitos Humanos da Presidência da República já divergiu em um ponto da Polícia Civil: a falta de roupas em alguns corpos que chegaram ao Instituto Médico-Legal (IML). O grupo esteve no Rio nesta quinta-feira com o chefe da Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, e entidades do governo do Estado.

Gilberto explicou que o fato não compromete a conclusão do laudo. — Se porventura chegaram despidos, foi provavelmente por terem sido submetidos a atendimento médico prévio. Isso necessariamente não atrapalha, até porque nossos técnicos relatam aquilo que estão enxergando no momento da perícia. A Polícia Civil não tem nada a esconder — disse.

Integrante da Comissão Especial, o legista de São Paulo Jorge Vanrell afirmou que a retirada das roupas é um problema a ser analisado. — Estamos acostumados a ver, mas geralmente as vestes vêm com o cadáver. Exames nelas são necessários porque podem apresentar sinais de fuligem. Cada estado tem sua disponibilidade — minimizou ele.

A reunião teve um clima de cooperação. — Não há intervenção federal ou desconfiança. Seguimos diretrizes internacionais que prevêem investigação independente em casos como o do Alemão — declarou o chefe da Ouvidoria da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Pedro Montenegro.

Comissão não descarta hipótese de exumação

Outra hipótese discutida na reunião foi a exumação dos cadáveres, que não foi descartada. Mas a Comissão Especial ainda vai analisar os laudos.

O Sindicato dos Médicos do Rio (SinMed-RJ) defendeu  a lisura dos laudos confeccionados pelos legistas do Instituto Médico-Legal (IML). O sindicalista e professor de Medicina Legal da Escola de Magistratura do Rio, Talvane de Moraes, um dos maiores especialistas no assunto do País, classificou como "perfeito" o trabalho dos peritos do Estado, depois de analisar os resultados dos laudos.

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