Uma seqüência de falhas do maquinista do trem de passageiros e do controlador de tráfego da linha foi responsável pela colisão entre um trem de passageiros e um trem de carga no último dia 30, na estação de Austin, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Essa foi a conclusão do laudo da comissão técnica da Supervia, concessionária que administra as linhas de trens urbanos do Rio de Janeiro.
Segundo a Supervia, o primeiro erro foi quando o controlador de tráfego não fechou o sinal da Estação Comendador Soares, que serviria para avisar ao maquinista do trem de carga que haveria um cruzamento com outro trem.
De acordo com a Supervia, o maquinista do trem de passageiros cometeu, em seguida, dois erros: o trem estava acima da velocidade permitida, que é de 60 quilômetros horários, e não diminuiu a velocidade ao passar diante de um sinal amarelo, que indicaria que no próximo sinal teria que parar.
O quarto erro ocorreu quando o controlador pediu que o trem de carga mudasse de rota, mesmo quando a distância entre os dois este e o trem de passageiros era menor do que a permitida para a manobra. Além disso, um minuto antes da colisão, o maquinista do trem de passageiros ultrapassou o sinal vermelho.
O presidente da Supervia, Amin Alves Murad, classificou o acidente de "fatalidade" e garantiu que o sistema de trens de passageiros do Rio de Janeiro é seguro.
— Infelizmente ocorreu. Pode ocorrer novamente? Sim, mas o acidente foi causado por cinco eventos seguidos, e nós acreditamos que não vá voltar a ocorrer. O sistema é seguro —, afirmou Murad.
O presidente do Sindicato dos Ferroviários, Walmir de Lemos, entretanto, disse que não aceita o laudo divulgado pela Supervia, e defendeu a criação de uma comissão independente, com representantes de diversos setores, como por exemplo, o Ministério Público Estadual, a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e a Secretaria de Transportes.
Após a colisão entre os dois trens no dia 30 de agosto, oito pessoas morreram e mais de 100 saíram feridas. De acordo com a Supervia, nesta segunda-feira cinco vítimas continuam internadas.
Segundo a concessionária Supervia, que administra as linhas de trem, a empresa vem prestado assistência às vítimas e aos familiares. Desde o dia do acidente, já aconteceram cerca de 40 reuniões entre a Supervia, as vítimas e os familiares, outras 40 estão agendadas para acontecer até o dia 14 de setembro. Três acordos foram estabelecidos.
Laudo aponta falha humana como causa da colisão de trens
Segunda, 10 de Setembro de 2007 às 17:18, por: CdB