Imigrantes latino-americanos que trabalham no Japão recebem salários mais altos e podem mandar mais dinheiro para casa, disse um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), indicando que eles se tornarão cada vez mais uma fonte importante de capital para a região. As remessas do Japão para países latino-americanos deverão passar de US$ 2,65 bilhões em 2005, segundo o BID.
Apesar de o valor ser apenas uma pequena parte dos US$ 45,8 bilhões das remessas globais para a região em 2004, o estudo mostra que o salário médio de trabalhadores latino-americanos no Japão é de quase US$ 50 mil por ano, cerca do dobro do que recebem os funcionários da região nos Estados Unidos.
- A América Latina é o destino número um de remessas no mundo, e estamos tentando trabalhar com estes países para que o uso do dinheiro seja otimizado - disse Donald Terry, diretor do Fundo Multilateral de Investimento do BID.
O organismo está realizando seu encontro anual na ilha japonesa de Okinawa.
De acordo com a pesquisa, o Japão vem crescendo como destino de descendentes latino-americanos de imigrantes japoneses que se mudaram para a região no começo do século passado. Mais da metade das pessoas que mandam dinheiro do Japão para a América Latina têm 35 anos ou menos e ajudam a preencher o vácuo de trabalhadores no Japão devido ao envelhecimento da população.
Os trabalhadores enviam quase 20% de seus salários, quase o dobro em comparação com os que estão nos EUA. O estudo mostra ainda que dos US$ 2,65 bilhões que deverão ser enviados este ano, cerca de US$ 2,2 bilhões irão para o Brasil, US$ 365 milhões para o Peru e US$ 100 milhões para o restante da América Latina.
O estudo apontou que atualmente vivem mais de 435 mil adultos latino-americanos no Japão e que cerca de 70% deles mandam dinheiro para casa regularmente - com uma média de US$ 600 por remessa.
A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 28 de fevereiro, com 1.070 adultos latino-americanos que vivem no Japão.