Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

Lateral de origem, Edinho Poá aponta técnica como essência do futebol

Segunda, 08 de Agosto de 2011 às 06:36, por: CdB

Fábio Oliveira
Especial para o site da FPF

Atualmente no União Suzano Atlético Clube, Edson Marcos dos Santos, o Edinho Poá, está no futebol desde 1981. Iniciou sua carreira de jogador no Santo André, e passou por Moto Clube (MA), Ceará, Fluminense de Feira de Santana (BA), União Mogi, Pirassununguense, Grêmio Atibaia, Mauaense, entre outros. Jogou também pelo Sinop (MT), na época em que Rogério Ceni, um dos maiores ídolos da história do São Paulo, era apenas o quarto goleiro. Encerrou sua carreira como atleta em 1992, no Bacabal (MA). Polivalente, Edinho foi lateral, e atuava tanto na esquerda como na direita.

Palavra de Técnico
Confira as demais entrevistas com os treinadores do cenário paulista
 
Como treinador iniciou no Guapira, onde foi responsável por revelar o goleiro corintiano Júlio César, nas categorias de base do clube. Em seguida, foi para o ECUS de Suzano, rival de seu atual clube. Passou pela Portuguesa, pelo AD Guarulhos e pelo Bacabal (MA), até ir para o USAC, que entre idas e vindas, está desde 2006.

Nascido em Poá, cidade da região do Alto Tietê, Edinho encerrou sua participação na Segunda Divisão do Campeonato Paulista deste ano, sendo eliminado na primeira fase com o União Suzano. Com 46 anos e praticamente 30 de bola, Edinho se orgulha de priorizar a técnica e a qualidade individual de cada jogador, assim como nos bons e velhos tempos do futebol brasileiro.
 
FPF: O que mudou no futebol dos tempos atuais, em relação ao passado?
Edinho Poá: Mudou muita coisa, principalmente o cronograma de treinamentos. Hoje se prioriza mais a parte física, e antigamente era mais a técnica. Hoje inverteu tudo, futebol hoje em dia é 70% físico e 30% técnico.
 
FPF: O que mais sente saudades de seus tempos como jogador?
Edinho Poá: A qualidade técnica. Hoje é difícil você ver um jogador dotado de técnica, até mesmo pelos esquemas táticos que são utilizados hoje, como o 3-5-2. O futebol abriu mão da qualidade, não se acha mais um camisa 10, ou um camisa 8 que é o armador, ou até mesmo um atacante nato, que usa o drible para superar o adversário. Hoje estamos formando atletas mais para vender para a Europa do que para agradar o público daqui.

FPF: Conte algum episódio inusitado de sua carreira no futebol.
Edinho Poá: Foi no União Suzano, atuando como treinador. Há jogadores que ainda não têm muita experiência e durante uma partida precisava substituir um atleta que havia sofrido um estiramento. Queria que ele caísse para ser atendido, e ele não estava me entendendo. Eu quase tive que me jogar no chão, aí tomei uma dura danada do quarto árbitro, pois isso é anti-jogo.
 
FPF: Em qual técnico você se espelha?
Edinho Poá: O Felipão, por causa do jeito sincero de lidar com os jogadores, pela sua transparência no trabalho. Acima de qualquer coisa, é um trabalhador que tenta fazer que, mesmo com dificuldades, a técnica predomine. E também sua sinceridade de lidar com os assuntos do futebol, ele é bastante autêntico.
 
FPF: O que você aconselha aos treinadores mais jovens, que estão iniciando carreira?
Edinho Poá: Que não se deixem levar por aquele papo que futebol é apenas físico, que tenham atenção para desenvolver as qualidades técnicas dos jogadores. Mesmo que isso leve mais trabalho, é o que temos de melhor aqui no Brasil.
 
FPF: O que representa o futebol na sua vida?
Edinho Poá: Sem o futebol não me imagino vivendo, é tudo para mim. Não fiz outra coisa além de estar envolvido no futebol.

Tags:
Edições digital e impressa