Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Lançamento de bônus pelo BC deve atrair investidores externos

Segunda, 12 de Janeiro de 2004 às 16:18, por: CdB

O lançamento de bônus de 30 anos no mercado internacional, pelo Banco Central, deve atrair investidores externos para o país. A avaliação é do economista-chefe da corretora de câmbio Intercam, Elói Dantas Jr.

O efeito da oferta, realizada nesta segunda-feira, pode ser ainda mais positivo caso os dólares obtidos com a emissão destes bônus sejam utilizados para a recompra dos C-Bonds (títulos da dívida externa) com vencimento em 15 de abril. Segundo informações do Deutsch Bank, que liderou a operação desta segunda-feira com o Citigroup, a emissão de hoje resultou na captação de US$ 1,5 bilhão.

As baixas taxas de juros oferecidas pelos mercados da Europa e Estados Unidos estão empurrando os investidores internacionais para mercados emergentes como o brasileiro. Prova disso é a cotação dos C-Bonds, que, na semana passada, pela primeira vez na história, ultrapassaram seu valor de face e hoje chegaram a quase 101%. Dantas Jr apóia a iniciativa do Banco Central em aproveitar o momento favorável do mercado internacional.

De acordo com o economista, a emissão de bônus resulta em maior disponibilidade de moeda-forte pelo governo brasileiro, o que reduz o medo dos investidores internacionais.

- A conseqüência imediata é que mais dólares entram no país por meio da Bolsa, o que provoca a redução do câmbio - afirmou.

 Efetivamente, na tarde desta segunda-feira, após a operação do BC no exterior, o dólar alcançou a menor cotação desde 24 de junho de 2002, fechando a R$ 2,79.

Os leilões de compra de dólares realizados pelo BC não chegaram a influir no câmbio, garante o economista.

- São leilões tímidos e as compras foram feitas a valor de mercado - afirma.

Ele acredita que o objetivo seja mesmo a recomposição das reservas cambiais do país, como declarado pelo Banco Central.

Com relação aos dólares captados com a emissão de bônus global, Dantas Jr acredita que tenham como destino final a recompra dos C-Bonds com vencimento em 15 de abril. Se isto se confirmar, os ganhos para o país seriam ainda maiores na avaliação do economista.

- Com a recompra, o governo tira do mercado um papel com histórico de moratória, alonga o prazo da dívida e consegue taxas mais favoráveis - analisa.

 Na esteira, viria uma possível queda do Risco-Brasil e uma maior propensão de investimentos externos no país.

Mas a operação realizada hoje pelo Banco Central também embute um risco: a redução do superávit comercial, em função da valorização do Real, que facilita importações e dificulta exportações. Segundo Dantas Jr, utilizar os leilões de compra de dólares para segurar o câmbio e garantir o superávit da balança comercial seria um erro.

- O câmbio tem que se manter flutuante pois está dando muito certo - afirma.

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