O estilista alemão, de óculos de sol e cabelos brancos amarrados em um rabo de cavalo, já se tornou o homem mais famoso do mundo da moda, graças a suas criações para a Chanel e sua colaboração com a rede varejista sueca Hennes & Mauritz, em coleções de edição limitada.
Agora ele pretende impelir sua grife própria e menos conhecida, a Lagerfeld Gallery, para o mesmo nível de fama.
"O que eu gosto é de estar em toda parte, desenhar coleções em todo lugar e ter esse tipo de onipresença, em todos os sentidos da palavra", ele disse à Reuters nos bastidores do desfile de sua coleção de outono-inverno, na quarta-feira.
Ironicamente, o primeiro passo rumo à expansão exigiu a venda da marca para a Tommy Hilfiger Corporation, em dezembro.
A empresa norte-americana, que produz a grife Hilfiger, pretende colocar a Lagerfeld Gallery em mais lojas nos Estados Unidos, além de desenvolver linhas de acessórios.
A parceria é benéfica para ambas as partes. Lagerfeld se beneficia do peso de um grande grupo industrial capaz de financiar seu crescimento, e a Hilfiger ganha um estilista de reputação mundial, no momento em que inicia uma série de aquisições.
David Dyer, presidente da Tommy Hilfiger Corporation, disse à Reuters: "Queremos ser uma empresa de muitas grifes e muitos canais. Acho que não se pode ter algo melhor do que Karl Lagerfeld, então já estamos começando pela jóia da coroa."
Lagerfeld pôs na passarela uma coleção dominada por casacos elegantes, incluindo um com dramática gola de pele de astracã erguida para cobrir o queixo e a boca.
Um suéter preto tinha um grande capuz de couro forrado de pele -- ótimo para posar no terraço de um café ou mesmo para encarar montanhas nevadas.
Lagerfeld já disse muitas vezes que sua imagem pública é uma caricatura, mas ele próprio a alimenta com toques auto-referenciais espirituosos.
O nome Lagerfeld Gallery percorria telas de cristal líquido incorporadas aos cintos, e um vestido de chiffon preto, sem mangas, incluía uma das golas brancas engomadas que o estilista costuma usar.
Lagerfeld não identificou muitas mudanças na estética da grife. "O que vai mudar é que, em escala bem grande, mundial, vamos produzir uma linha de grande difusão com jeans, camisetas e coisas desse tipo", explicou.