Um confronto curto, mas intenso, durante a madrugada na cidade de Andizhan deu indícios nesta terça-feira de que alguns bolsões de resistência continuam funcionando na região, quatro dias depois de um massacre em que soldados contiveram uma revolta popular.
Segundo um partido de oposição ao governo, 745 pessoas foram mortas por tropas uzbeques. Nigara Khidoyatova disse que funcionários de seu partido conversaram com amigos e parentes das vítimas.
- De acordo com nossas listas, 542 pessoas morreram em Andizhan e 203 em Pakhtabad - afirmou por telefone.
Os Estados Unidos endureceram sua posição sobre o país, que é seu aliado na guerra ao terrorismo, dizendo na segunda-feira que estão profundamente preocupados com os relatos de que soldados dispararam contra manifestantes na última sexta-feira.
Moradores da cidade de 300 mil habitantes colocaram flores sobre as poças de sangue na frente da Escola número 15, onde testemunhas disseram que tropas mataram centenas de pessoas, incluindo mulheres e crianças.
O governo culpou extremistas islâmicos pela rebelião, iniciada devido ao julgamento de 23 empresários muçulmanos. Moradores e ativistas de defesa dos direitos humanos afirmaram que os protestos foram realizados contra a pobreza, a corrupção e a linha-dura do presidente Islam Karimov em relação aos muçulmanos.
A visita de diplomatas estrangeiros a Andizhan proposta pela Grã Bretanha foi adiada, disse uma fonte diplomática.
- A visita deveria acontecer hoje (nesta terça-feira), mas fomos informados nesta manhã de que foi adiada até amanhã, ou depois de amanhã - declarou.
Um tiroteio de 10 minutos foi ouvido a partir do centro da cidade durante a noite, perto do prédio municipal de comunicações.
- Estamos perseguindo os bandidos - disse um policial nesta terça, antes de ser silenciado por um colega.
Karimov, que está no poder desde 1989, negou que as tropas tenham disparado contra civis, mas disse que muitos rebeldes foram mortos.
A tensão continua alta na cidade, fechada por cordões policiais e barreiras nas estradas.
O prédio ocupado por rebeldes na sexta-feira - e onde as tropas abriram fogo contra a multidão - está cercado por soldados e veículos blindados.
Milhares de pessoas fugiram depois do levante e grupos de direitos humanos dizem que temem agora uma onda de repressão.
Cerca de 500 pessoas conseguiram cruzar a fronteira com o Quirguistão, onde protestos em março provocaram a queda do presidente Askar Akayev - o terceiro líder de ex-repúblicas soviéticas a cair em 18 meses.