Rio de Janeiro, 13 de Fevereiro de 2026

Krueger critica manutenção da CPMF

Sexta, 24 de Agosto de 2007 às 08:31, por: CdB

A ex-vice-diretora do FMI, Anne Krueger, classificou a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que o governo quer prorrogar por mais quatro anos, como um dos piores tributos já inventados. Ela chama de inacreditável o depósito compulsório de 45% sobre os depósitos à vista. E afirma que alguma coisa vai mal na economia brasileira, que tem carga tributária de quase 35% do PIB, mas não consegue fazer com que o nível do crédito cresça em relação ao PIB - hoje, o crédito está em 36%.

- Há países que não têm recursos para investir. Não é o caso do Brasil. O governo arrecada tributos que representam uma elevada porcentagem do PIB, mas há algo de errado, pois não se sabe para onde vai esse dinheiro. O ideal seria que o governo fizesse um uso melhor dos recursos públicos - disse.

Para Krueger, o crédito é um indicador importante que precisa ser melhorado no sistema financeiro brasileiro.

- Os bancos trabalham com um "spread" [diferença entre juros captados e repassados ao consumidor] imenso. Há uma série de indicadores e práticas do mercado que precisam ser melhoradas - disse, em encontro sobre mercado financeiro em Campos do Jordão, interior de SP.

Mais do que a crise nos mercados, o primeiro debate entre os economistas brasileiros no congresso da BM&F centrou sua discussão na alta carga tributária como impedimento de médio e longo prazos para o desenvolvimento do país.

O ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros disse que o governo Lula perde uma oportunidade única de baixar a carga tributária sem um alto custo para a sociedade e a economia.

- Só haverá reforma tributária se diminuírem os gastos federais. Não adianta falar em reforma tributária com a criação, por exemplo, do IVA [Imposto sobre o Valor Agregado] porque ele teria de ter alíquota de 50%, e ninguém vai querer cobrar 50% a mais do consumidor - disse.

Barros afirmou que essa omissão terá seu preço em um futuro não muito distante, quando o país não tiver as mesmas condições favoráveis para manter um crescimento de 4% a 5% ao ano.

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