O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, solicitou aos Estados Unidos novamente, nesta sexta-feira, que estabeleçam conversas diretas com o Irã para atenuar a crise do programa nuclear iraniano, depois que Washington prometeu não ser arrastado para um diálogo "interminável".
Uma autoridade norte-americana descartou na quinta-feira um contato entre EUA e Irã para solucionar o impasse internacional referente ao enriquecimento de urânio de Teerã e disse que sanções devem compor o pacote para tentar conter as atividades atômicas iranianas.
- Afirmei muito claramente, tanto em encontros particulares com a administração americana, quanto publicamente, que acho importante que os EUA venham à mesa de negociações e se juntem aos países europeus e ao Irã para encontrar uma solução - disse Annan na cúpula de países da União Européia, do Caribe e da América Latina, em Viena.
Annan fez uma sugestão similar na televisão pública norte-americana na semana passada. Há tempos ele vem pressionando por uma solução diplomática para evitar sanções da ONU ou mesmo ações militares, último recurso levantado por EUA e Israel.
- Pedi que todos os lados baixassem o tom da retórica e intensificassem os esforços diplomáticos para encontrar uma solução. Estou satisfeito que as discussões (do Conselho de Segurança) pareçam levar a uma situação em que todos concordam que se deve voltar às negociações e que deve haver um pacote abrangente para ser discutido por todos - disse Annan aos repórteres.
No último esforço para resolver a crise, Grã-Bretanha, França e Alemanha, com apoio de EUA, Rússia e China, apresentarão nos próximos 10 dias um pacote de penalidades e medidas persuasivas para o Irã.
Enquanto o Irã insiste que quer enriquecer urânio apenas para produzir energia nuclear, o Ocidente suspeita de que o programa poderia ser o início de um projeto de bomba nuclear.