O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, pediu nesta segunda-feira uma Revolução Verde para alimentar a África, afirmando que o continente mais pobre do mundo precisa com urgência aumentar a produção de alimentos, se deseja atingir uma paz duradoura.
Annan disse, em uma conferência sobre a fome realizada antes de uma cúpula da União Africana (UA), em Adis-Abeba (capital da Etiópia), ser improvável que o continente atinja a meta de reduzir o número de famintos pela metade até 2015.
"Vamos fazer uma Revolução Verde Africana - revolução adiada há muito tempo e que ajudará o continente em sua busca por dignidade e paz", afirmou Annan, na conferência da qual participaram líderes africanos, cientistas, especialistas da área de alimentação e representantes de países doadores.
A África não conseguiu incorporar os benefícios das recentes Revoluções Verdes, que triplicaram a produção de alimentos na Ásia e na América Latina com a ajuda de avanços tecnológicos, diminuindo de forma significativa o número de subnutridos nessas regiões.
Quase 200 milhões de pessoas, ou um terço dos adultos da África subsaariana, continuam sofrendo com a falta de alimentos, e a produção vem caindo em 31 dos 53 países africanos, apesar da previsão de que a população do continente dobre em 2030, chegando a 1,5 bilhão de pessoas.
A cúpula desta segunda-feira foi convocada para estudar modos de implementar um grande avanço agrícola na África - meta que, segundo Annan, é viável, apesar da degradação do meio ambiente, da grande dependência das chuvas (em detrimento da irrigação), dos altos custos do transporte e das barreiras mundiais a esses produtos.
Os participantes da conferência concordam que os problemas podem ser solucionados, mas somente se a África tiver ajuda do mundo desenvolvido, que até agora não cumpriu suas promessas de enviar ao continente centenas de bilhões de dólares em ajuda.
Entre as soluções propostas, estão melhorar a irrigação e a coleta de água, incentivar o uso de fertilizantes e implementar programas de alimentação nas escolas para melhorar a nutrição infantil e abrir mercado para os produtores.