Dívida e comércio serão os principais assuntos da reunião que os presidentes Néstor Kirchner e George W. Bush manterão nesta terça-feira em Monterrey, México.
A polêmica por causa de Cuba parece ter perdido o protagonismo depois de enxurrada de críticas do governo Kirchner ao sub-secretário do Departamento de Estado, Roger Noriega, quem afirmara sentir-se "decepcionado" pela política externa da Argentina à Cuba.
- Noriega disse publicamente uma coisa que me havia dito em particular muitas vezes, o que acontece é que, em termos diplomáticos, às vezes se falam bilateralmente e não diante uma câmara de televisão - justificou o chanceler argentino Rafael Bielsa, em Monterrey.
O ministro de Relações Exteriores terá a oportunidade de esclarecer o episódio com o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, que adiantou sua intenção de clarificar a questão sobre Cuba. O condimento especial do assunto é o voto anunciado pelo governo Kirchner de manter a abstenção, tal como fez no ano passado, durante a assembléia da ONU sobre a condenação de Cuba por violação dos direitos humanos.
No que diz respeito à dívida em default da Argentina, Bush deverá fazer à Kirchner o mesmo pedido feito por Horst Köhler, diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), de melhorar a oferta de pagamento, para que essa seja superior à 25% proposto pelo governo argentino. Bush também pedirá que Kirchner estabeleça uma instância de negociação mais amistosa com os credores.
Segundo o chanceler Bielsa, a resposta de Néstor Kirchner também será a mesma dada à Köhler:
- O corte de 75% se mantém inalterável, não é sério fazer uma nova proposta - afirmu.
Outro assunto apimentado da agenda bilateral EUA/Argentina que o presidente Néstor Kirchner não pretende arredar o pé diz respeito ao comércio.
- A Argentina não vai avançar em nenhum acordo que não garanta a integração plena sem assimetrias - repetiu Kirchner nesta segunda à noite, em Monterrey.
Segundo uma fonte da chancelaria argentina consultada pela Agência Estado, Kirchner "está 100% junto com Lula nesta questão da Alca e ambos países defenderão juntos um acordo que seja bom para o Mercosul".