Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Kirchner e Bush discutem dívida e comércio

Terça, 13 de Janeiro de 2004 às 08:20, por: CdB

 Dívida e comércio serão os principais assuntos da reunião que os presidentes Néstor Kirchner e George W. Bush manterão nesta terça-feira em Monterrey, México.

A polêmica por causa de Cuba parece ter perdido o protagonismo depois de enxurrada de críticas do governo Kirchner ao sub-secretário do Departamento de Estado, Roger Noriega, quem afirmara sentir-se "decepcionado" pela política externa da Argentina à Cuba.

- Noriega disse publicamente uma coisa que me havia dito em particular muitas vezes, o que acontece é que, em termos diplomáticos, às vezes se falam bilateralmente e não diante uma câmara de televisão - justificou o chanceler argentino Rafael Bielsa, em Monterrey.

O ministro de Relações Exteriores terá a oportunidade de esclarecer o episódio com o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, que adiantou sua intenção de clarificar a questão sobre Cuba. O condimento especial do assunto é o voto anunciado pelo governo Kirchner de manter a abstenção, tal como fez no ano passado, durante a assembléia da ONU sobre a condenação de Cuba por violação dos direitos humanos.

No que diz respeito à dívida em default da Argentina, Bush deverá fazer à Kirchner o mesmo pedido feito por Horst Köhler, diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), de melhorar a oferta de pagamento, para que essa seja superior à 25% proposto pelo governo argentino. Bush também pedirá que Kirchner estabeleça uma instância de negociação mais amistosa com os credores.

Segundo o chanceler Bielsa, a resposta de Néstor Kirchner também será a mesma dada à Köhler:

- O corte de 75% se mantém inalterável, não é sério fazer uma nova proposta - afirmu.

  Outro assunto apimentado da agenda bilateral EUA/Argentina que o presidente Néstor Kirchner não pretende arredar o pé diz respeito ao comércio.

- A Argentina não vai avançar em nenhum acordo que não garanta a integração plena sem assimetrias -  repetiu Kirchner nesta segunda à noite, em Monterrey.

 Segundo uma fonte da chancelaria argentina consultada pela Agência Estado, Kirchner "está 100% junto com Lula nesta questão da Alca e ambos países defenderão juntos um acordo que seja bom para o Mercosul".

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