- A decisão de Menem foi patética. Foi uma irresponsabilidade institucional absoluta - disse Kirchner sobre as últimas horas durante as quais o ex-presidente (1989-99) manteve o país na expectativa. Em sua primeira aparição na TV, após a oficialização da renúncia de Menem, Kirchner insistiu que "não pode proceder nesse nível, é algo patético, lamentável. Se todos agirmos assim, a Argentina estará numa ingovernabilidade absoluta". - Eu não acredito em nada do ex-presidente Menem. O que fez é vergonhoso. Participou do primeiro turno (no qual obteve 24,45% dos votos), mas quando viu que não podia ganhar (no segundo), não se importou com o que acontece com os argentinos - criticou. Duhalde critica Menem O presidente da Argentina, o peronista Eduardo Duhalde, sustentou nesta quarta-feira, em Montevidéu, que seu correligionário e duas vezes presidente, Carlos Menem, se retirou da disputa eleitoral porque "nunca respeitou as instituições". O governante, que realiza uma visita de Estado de 24 horas ao Uruguai, disse aos jornalistas que lamenta "muito" a decisão de Menem de desistir de sua candidatura ao segunda turno eleitoral do próximo domingo, onde devia competir com o também peronista Néstor Kirchner, favorito nas pesquisas. Duhalde assegurou que "esperava" a deserção do ex-presidente argentino porque "nunca respeitou as instituições". Duhalde foi vice-presidente durante os dois primeiros anos de gestão de uma década (1989-99) mandatos de Menem. Depois de assegurar que a retirada de Menem não afetará "a governabilidade na Argentina", exclamou que "já temos presidente eleito", Kirchner, candidato de Duhalde. As leis argentinas estabelecem que se um dos candidatos no segundo turno eleitoral morrer ou renúnciar, o outro será proclamado vencedor automaticamente. Duhalde evitou, pela tarde, comentar a retirada de Menem alegando que aguardava "mais detalhes", mas depois, antes do discurso que pronunciaria no parlamento uruguaio, disparou suas críticas contra o ex-governante. Biografia de Kirchner Nascido no dia 25 de fevereiro de 1950, em Río Gallegos, capital de Santa Cruz, Kirchner militou desde jovem no Partido Justicialista (peronista), ao qual pertence desde a década de 70, quando integrava as fileiras da combativa Juventude Peronista. Kirchner é o segundo filho de Néstor Carlos Kirchner, um descendente de alemães e suíços, e de María Ostoic, de origem croata e nascida em Punta Arenas, no Chile. Em 1976, ele se formou em Direito na Universidade de La Plata, 50 quilômetros ao sul de Buenos Aires. Perseguido pela ditadura militar (1976-83), voltou para sua cidade natal, onde abriu um próspero escritório de advocacia. Com a volta da democracia no país, após o sangrento regime, voltou à militância e criou, em 1982, o Ateneu Tenente-Geral Juan Domingo Perón, trampolim para chegar à intendência (prefeitura) da cidade. Em 1987, foi eleito prefeito de Río Gallegos e, desde 1991, ocupa o governo da província, cargo para o qual foi reeleito duas vezes. Kirchner foi presidente entre 1983 e 1984 da Caixa da Previdência Social (seguro social e aposentadorias) de Santa Cruz, mas foi destituído pelo então governador, Arturo Puricelli, depois de enfrentá-lo. Em 1986, Kirchner obteve sua primeira vitória nas urnas, nas primárias do partido, nas quais teve maioria do conselho local justicialista. É casado há 28 anos com Cristina Fernández, que conheceu na Universidade de La Plata e com quem teve dois filhos: Máximo (26) e Florencia (13). Esta advogada, hoje uma rebelde senadora peronista de 50 anos, tem uma brilhante e longa carreira política, independente da do marido. Néstor Kirchner venceu as eleições para o governo de Santa Cruz em 10 de dezembro de 1991, com 30,44% dos votos pela Lei de Lemas. Em 1992, foi eleito presidente da Organização Federal de Estados Provinciais Produtores de Petróleo (OFEPHI) e, em 1994, participou como constituinte na reforma da Carta Magna.
Kirchner diz que renúncia de Menem foi "patética"
"A decisão de Menem foi patética. Foi uma irresponsabilidade institucional absoluta", disse Kirchner sobre as últimas horas durante as quais o ex-presidente (1989-99) manteve o país na expectativa. (Leia Mais)
Quarta, 14 de Maio de 2003 às 20:45, por: CdB