O presidente argentino, Néstor , afirmou nesta segunda-feira que seu governo não vai melhorar a proposta de reestruturação da dívida feita aos credores privados portadores de títulos em default.
- A proposta de pagamento aos credores é inamovível. Tampouco se modificará a meta de 3% do superávit primário, prevista para este ano, para aumentar pagamentos da dívida. Fazer isso seria colocar em perigo o crescimento - disse Kirchner ao diário Clarín.
A posição do presidente foi reforçada por declarações do chefe de gabinete, Alberto Fernández.
- Não nos movemos da proposta de Dubai [de setembro do ano passado]. É a mais acessível e a que tem mais seriedade, porque nos permite o crescimento econômico e cumprir com nossas obrigações - afirmou.
No último mês, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Casa Branca vêm aumentando as pressões sobre o governo argentino para que modifique sua oferta e, dessa forma, consiga uma adesão maior ao programa de reestruturação da dívida do país, de US$ 88 bilhões.
Na última sexta-feira, a conselheira de Segurança Nacional da Casa Branca, Condoleezza Rice, disse que a Argentina deve adotar "decisões difíceis" em matéria econômica e cumprir com rigor as metas firmadas com o FMI, que incluem terminar as negociações externas em junho. O governo diz já estar cuidando do assunto.
O tema estará novamente em pauta nas reuniões que Kirchner manterá nesta semana com o presidente George W. Bush (EUA) e com o diretor-gerente do FMI, Horst Köhler, na Cúpula das Américas, em Monterrey.
A oferta oficial do governo -que prevê um desconto de 75% no valor nominal dos títulos- foi rejeitada pelos credores internacionais, que, após tentativas frustradas de negociação, agora pressionam o FMI e o governo americano por uma atitude mais dura em relação à Argentina.
O governo ofereceu ainda a troca de bônus em moratória por outros com desconto menor, mas com juros de até 2% ao ano e vencimento entre 20 e 42 anos.
Para os credores, as condições são inaceitáveis. Eles consideram os prazos muito longos e a taxa de juros muito baixa, e alegam que o desconto real no valor nominal dos títulos chegaria a 90%.
Kirchner diz que não vai alterar agenda de pagamentos com FMI
Segunda, 12 de Janeiro de 2004 às 07:39, por: CdB