O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, concluiu nesta terça um forte discurso contra as pressões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que seu país cumpra com metas que tolheriam o crescimento econômico de seu país.
Kirchner igualmente criticou os modelos de negociação comercial que somente tenderiam, em seu ponto de vista, a aumentar as assimetrias econômicas e sociais dos países envolvidos, em sintonia com o pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta manhã de terça-feira.
Kirchner discursou longamente no encerramento da Reunião de Cúpula Extraordinária das Américas, quando se esperavam breves comentários de alguns dos 34 líderes presentes. Pela manhã, o presidente argentino havia se reunido com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de quem conseguiu obter declarações de confiança ao programa de reestruturação da dívida argentina.
Necessidade de crescimento
Em seu pronunciamento, Kirchner ressaltou que o crescimento da dívida argentina foi resultado de um "modelo econômico insustentável", que havia sido estimulado e sustentado pelos organismos internacionais. Apenas quatro dias depois da primeira revisão do acordo fechado pela Argentina com o FMI, Kirchner ainda afirmou que seu governo sente "as pressões e a incompreensão" dos organismos internacionais com a necessidade de seu país crescer.
Ao referir-se ao acordo com o Fundo, especificamente, reiterou que "sempre surgem novas demandas e exigências" dos seus técnicos. Kirchner lembrou que a ausência de crescimento econômico criará um círculo vicioso, que impedirá seu país até mesmo de fazer frente aos pagamentos dos credores internacionais.
- Ninguém pode cobrar dos mortos - afirmou.
- O caminho mais razoável será revalorizar o crescimento - completou.