Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Kirchner amarga primeira crise na segurança

Segunda, 26 de Julho de 2004 às 18:44, por: CdB

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, empossou nesta segunda-feira o novo ministro da Justiça, Horacio Rosatti, depois de afastar o anterior, que questionou sua autoridade, enfrentando a primeira crise em 14 meses de governo. Rosatti, um advogado peronista e amigo do presidente, assume o ministério com o desafio de conter as marchas promovidas por organizações piqueteiras formadas por pobres, desocupados e ativistas de esquerda, mas sem utilizar armas ou reprimi-los.

"Haverá uma reforma na política de segurança. O cenário se modificou e grupos violentos estão atuando", antecipou Alberto Fernández, chefe de Gabinete e mão direita do presidente.

O Ministério da Justiça e Segurança se converteu numa brasa ardente para Kirchner, não apenas pela polêmica e tensão que despertam os piquetes, mas pelo drama da insegurança que assola o país.

Num gesto de poder e autoridade, o chefe de Estado demitiu Gustavo Beliz do posto de ministro da Justiça e Segurança, junto com quase toda equipe de colaboradores, numa seqüela dos graves distúrbios ocorridos no dia 16 de julho, à frente do Parlamento, que resultaram em alguns feridos. A reação de Beliz, um cooperador da organização católica Opus Dei, foi denunciar a existência de uma "Gestapo da democracia" no governo e de "uma máfia" de funcionários que conspiravam contra ele.

Sobre a Side, (Secretaria de Inteligência do Estado) Beliz denunciou a criação de "um ministério paralelo e secreto, de permanente funcionamento em temas de segurança sem nenhum tipo de controle, com coisas muito obscuras".

Fernández respondeu que "a Side não faz inteligência interna" e rechaçou uma denúncia de que foram destinados 100 milhões de pesos (33 milhões de dólares) para os serviços secretos.

O ataque ao Legislativo calou o país, que assistiu durante cinco horas pela TV dezenas de vendedores ambulantes, manifestantes encapuzados, travestis e prostitutas enfrentarem a polícia e invadirem o prédio.

Rosatti é um homem de confiança de Kirchner e será auxiliado por Alberto Iribarne, peronista ligado ao ex-presidente e chefe da comissão de representantes do Mercosul, Eduardo Duhalde.

"O Governo está sem rumo, é incapaz de pensar na segurança", criticou a ex-deputada e líder da oposição social cristã Elisa Carrió.

Kirchner tem infligido inúmeras penas a chefes e oficiais da polícia para combater a insegurança, mas o país enfrenta há meses uma onda de seqüestros extorsivos e crimes violentos.

Um promotor geral da cidade de La Plata, capital da província de Buenos Aires, a mais povoada do país, que fica a 60 Km de Buenos Aires, foi mantido refém por algumas horas. Os dois seqüestradores do advogado ameaçaram matá-lo se ele continuar participando dos chamados "julgamentos da verdade". Os "julgamentos da verdade" pretendem determinar o que aconteceu com os 30 mil desaparecidos durante a ditadura argentina (1976-1983).

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