Foi divulgado, nesta quarta-feira, o relatório final da comissão do Reino Unido, que investiga a invasão do Iraque.
Assim como o relatório que saiu nos Estados Unidos, na semana passada, em que Bush não é condenado pela invasão, nada muda. O primeiro-ministro, Tony Blair, é praticamente inocentado de ter levado o país à guerra, seu nome não foi incluído e a conclusão é de que a falha foi "coletiva".
Os culpados novamente são os serviços de inteligência. A CIA e o M-16 (Serviço Secreto Britânico) foram os responsáveis pelos dados falsos ou incompletos passados para Bush e Blair.
A imprensa noticia esses fatos, mas está claro que, no fundo, ninguém acredita nisso.
George Tenet era o diretor da CIA quando os Estados Unidos resolveram invadir o Iraque, agora está fora do Governo. Pediu demissão e alegou "motivos pessoais", mas a verdade é que se demitiu para "assumir" a culpa e aliviar Bush exatamente do que foi aliviado no relatório, de ser o único responsável pela tomada do país iraquiano.
David Kelly, o cientista que assinou o laudo de que Saddam Hussein teria armas de destruição em massa, está morto. As conclusões apontaram suicídio.
Ele havia dito à BBC que foi pressionado a assinar o relatório com a lunática história de que o ditador poderia lançar, em apenas 45 minutos, ataques químicos e biológicos.
Fontes dentro da Casa Branca disseram que Dick Cheney, o poderoso vice-presidente norte-americano, foi oito vezes, só em 2002, à sede da CIA para fazer sempre as mesmas perguntas sobre a ligação do Iraque com a Al Qaeda. Isso foi visto como um modo de fazer pressão ao Serviço de Inteligência.
A verdade é que, como dizem os ingleses, Tony Blair, serviu a Bush e ainda faz isso, como um "cachorrinho poodle".
Não importava o que os relatórios diziam, importava o que Bush queria. Se os Estados Unidos não tivessem encabeçado a história, dificilmente Blair tomaria por si próprio, a iniciativa de atacar Saddam, mesmo verbalmente.
No final das contas, a aliança é entre George Bush e Tony Blair e não entre Estados Unidos e Inglaterra.
A derrota que Blair vem sofrendo nas eleições em seu país e a queda assustadora de Bush nas pesquisas provam isso. É a resposta negativa da população à forma como foi tratada a questão no Iraque.