O líder líbio, Muammar Khadaffi pediu nesta segunda-feira aos demais governantes africanos que não ajam como mendigos na cúpula desta semana dos países ricos. Ele disse que o continente deveria ser mais autoconfiante e rejeitar a ajuda condicional do mundo desenvolvido.
-Mendigar não vai garantir o futuro da África, cria uma maior diferença entre os grandes e os pequenos - disse ele na sessão de abertura da cúpula dos 53 países da União Africana na Líbia.
- Não vamos mendigar na porta deles para reduzirem as dívidas. Somos insultados constantemente e merecemos isso. Não precisamos de assistência e caridade. Eu não aceitaria as condições para a ajuda - ressalto.
Mas essa mensagem de Khadaffi certamente não dará o tom da cúpula, que deve aprovar uma posição favorável à iniciativa britânica por mais ajuda à África, a qual será discutida na quarta e na quinta-feira pela cúpula do G8 na Escócia.
Embora Khadaffi seja o anfitrião da cúpula e um dos fundadores da União Africana, em 2002, a organização atualmente é presidida pelo nigeriano Olusegun Obasanjo, que quer governos mais democráticos e responsáveis no continente.
Obasanjo será muito influente na redação da mensagem que os líderes africanos devem enviar ao G8, na qual pedirão ajuda contra a pobreza, as guerras e as epidemias, segundo diplomatas.
- Solicitamos aos parceiros ocidentais que apressem o cancelamento das dívidas de toda a África até 2007. Eles também devem melhorar a qualidade da ajuda para que ela seja realmente útil para os africanos pobres - disse o porta-voz da UA Desmond Orjiako.
A ajuda internacional atualmente destinada à África sofre muitas críticas, especialmente porque grande parte do dinheiro vai para consultores ocidentais e porque os governos africanos se vêem obrigados a fazer negócios com empresas dos países doadores.
Mais de 40% dos africanos vivem com menos de um dólar por dia, 200 milhões enfrentam grave escassez de alimentos, e a Aids mata mais de 2 milhões de pessoas por ano no continente.
Outro objetivo é convencer os países ricos de que a África está avançando no combate ao despotismo, às guerras e à corrupção, a fim de atrair investimentos estrangeiros.
Como acontece em todas as cúpulas semestrais da UA, esta vai citar as guerras como sendo a grande barreira para o desenvolvimento do continente, que teve 186 golpes de Estado e 26 conflitos importantes nos últimos 50 anos.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse à cúpula que todos os países têm responsabilidade de proteger as populações do genocídio, dos crimes de guerra e limpeza étnica, caso os governos diretamente envolvidos não o façam.
Os líderes africanos também devem pedir maior acesso de seus produtos aos mercados desenvolvidos.
A agenda da cúpula, como sempre, não faz referências ao presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, acusado de várias violações aos direitos humanos. Convidado para a cúpula africana, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, disse que a África deve se unir ao restante do mundo nos protestos contra a repressão do governo Mugabe a favelas clandestinas.
Na semana passada, a UA rejeitou apelos de ONGs para que intervenha no Zimbábue. A entidade disse que o combate às moradias clandestinas é um assunto interno.