Caso seja eleito presidente dos Estados Unidos, o candidato democrata à Casa Branca, John Kerry, promete recuperar a unidade política dos Estados Unidos com seus aliados sem comprometer a segurança do país.
Alguns aspectos da política exterior proposta por Kerry representam uma ruptura radical com a política da administração Bush. Kerry promete retomar as negociações em torno do protocolo de Kioto sobre aquecimento global e iniciar negociações bilaterais com a Coréia do Norte e Irã - dois países que fazem parte do "eixo do mal" citado por George W. Bush.
No entanto, Kerry diz ser "inaceitável" que o Irã disponha de uma arma nuclear. E adverte que "não vamos esperar pelo sinal verde do setor externo para agir se a nossa segurança estiver em jogo".
Filho de diplomata e ex-veterano da Guerra do Vietnã, John Kerry foi durante quase 20 anos membro da comissão de Relações Exteriores do Senado e teve papel importante no restabelecimento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Vietnã.
Apresentado como possível secretário de Estado numa eventual administração Kerry, Richard Holbrooke, mentor dos acordos de paz de Dayton, que puseram fim à Guerra da Bósnia (1992-1995), afirma que Kerry quer promover uma política exterior multilateral.
A proposta de Kerry pode ser resumida como uma tentativa de conciliar o multilateralismo e a afirmação do poder americano.
A proposta do democrata, entretanto, apresenta semelhanças com a política que vem sendo implementada por Bush. Em relação ao Iraque, Kerry reprova o fato de o atual governo republicano não ter se preparado como devia para o pós-guerra, mas afirma que, caso seja eleito presidente, não vai retirar as tropas do Iraque até que o país esteja estabilizado.
Em outubro de 2002, Kerry votou a favor de uma resolução do Congresso americano aprovando a guerra. Depois, ao votar contra o orçamento de 87 bilhões de dólares para o pós-guerra, o candidato demonstrou incerteza.
Em relação ao Oriente Médio, a política americana seria a mesma com Kerry na presidência. O candidato democrata é um ardente defensor de Israel. Dessa forma, condenou a decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ), que exige o desmantelamento parcial da barreira de segurança que vem sendo construída por Israel na Cisjordânia.
Esta barreira é uma "resposta legítima ao terrorismo" e um "importante instrumento de luta contra o terrorismo", estima Kerry.
Kerry promete ainda convocar uma reunião de cúpula internacional para discutir o terrorismo e investigar o papel da Arábia Saudita no "financiamento e apoio ideológico a grupos terroristas, como a Al-Qaeda".