O virtual candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, John Kerry, expressou na segunda-feira seu apoio inabalável à estreita ligação entre EUA e Israel e prometeu encerrar o ``namorico'' com países árabes como a Arábia Saudita.
Cortejando o voto judaico na Flórida, Estado que decidiu as eleições de 2000, Kerry citou um ``acordo secreto da Casa Branca'' que teria sido feito pelo presidente George W. Bush com os sauditas, em que eles prometiam gasolina a preço mais baixo, mas apenas depois da eleição presidencial, em novembro de 2004.
Além do suposto acordo, o jornalista Bob Woodward, autor do recém-lançado livro ``Plan of Attack'' (Plano de Ataque), disse no programa ``60 Minutes'', da CBS, que Bush deu à assessora nacional de segurança, Condoleezza Rice, ao vice-presidente, Dick Cheney, e ao secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, permissão para comunicar a Arábia Saudita de que invadiria o Iraque antes mesmo de falar com o secretário de Estado Colin Powell.
``Se isso soa errado para vocês, é porque é fundamentalmente errado e, se o que Bob Woodward está dizendo é verdade -- que o suprimento de gasolina e os preços estão ligados à eleição norte-americana, ligados a um acordo da Casa Branca --, isso é vergonhoso e inaceitável'', disse Kerry em Lake Worth.
Kerry ressaltou seu histórico pró-Israel em duas décadas como senador por Massachusetts. ``Tenho um histórico de 100 por cento -- não 99, 100 por cento -- de apoio à ligação e amizade especial que temos com Israel'', disse ele.
O democrata é católico, mas seu avô paterno era judeu. Ele se apresentou ao lado do senador Joseph Lieberman, de Connecticut, judeu, que concorreu à vice-presidência em 2000.
Kerry garantiu que manterá esses laços se for eleito em 2 de novembro, e disse que encerraria ``esse namorico com um bando de países árabes que ainda permitem que o dinheiro vá para o Hamas, o Hizbollah e a Brigada Al Aqsa''.
Ele não mencionou o nome de nenhum país, mas seu porta-voz David Wade disse que ele se referia à Arábia Saudita. Para Kerry, os EUA precisam de um presidente ``preparado para se impor e liderar o mundo, para criar uma entidade que permita a paz com o Oriente Médio''.
Kerry vem questionando as relações de Bush com a Arábia Saudita, principalmente no que diz respeito à energia. Bush atuava na área de petróleo no Texas e Cheney chefiou a Halliburton, grande empresa fabricante de derivados de petróleo e a principal fornecedora de logística para os militares norte-americanos no Iraque.
O governo saudita diz que está reprimindo o financiamento terrorista e que Riad é aliada total dos EUA na guerra contra o terrorismo.
Apesar das críticas a Bush, Kerry apoiou a decisão do presidente de dar sinal verde ao plano israelense de desocupar unilateralmente a Faixa de Gaza.