O candidato democrata à Casa Branca, John Kerry, qualificou de 'revoltante e inaceitável' o suposto acordo secreto entre o governo norte-americano e a Arábia Saudita. A medida serviria para baixar os preços do petróleo em 2004 e ajudar a reeleição do presidente George W. Bush.
O jornalista americano Bob Woodward -que junto a Carl Bernstein revelou o escândalo do Watergate e derrubou o presidente Richard Nixon- afirma em seu novo livro que a Arábia Saudita prometeu a Bush reduzir os preços do petróleo antes das eleições presidenciais de 2 de novembro nos Estados Unidos.
- Se isto for verdade, se nos Estados Unidos as reservas de combustível e os preços estiverem ligados às eleições, a um acordo secreto da Casa Branca, será revoltante e inaceitável para o povo americano - disse Kerry.
Para Kerry, a atual disparada dos preços dos combustíveis foi provocada por 'George Bush e seus amigos das grandes petroleiras', que rejeitam os esforços para reduzir a dependência dos Estados Unidos do petróleo estrangeiro e a busca de fontes de energia alternativas.
Woodward afirma que o embaixador saudita nos Estados Unidos, príncipe Bandar, comunicou a Bush que os sauditas planejam manipular os preços do petróleo para favorecer a economia em 2004.
O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, driblou hoje as perguntas da imprensa sobre esta questão dizendo apenas:
- Sempre estamos em contato com os produtores do mundo nestes temas para garantir que suas ações não prejudiquem nossos consumidores ou nossa economia.
A Casa Branca nega manter qualquer contrato com a Arábia Saudita sobre os preços do petróleo: Kerry está mais interessado em 'tratar de fazer uma resenha sobre o livro' do que em 'discutir coisas concretas', disse o diretor de comunicação Dan Bartlett. Os especialistas do mercado petroleiro divergem sobre as revelações de Woodward, principal jornalista do 'The Washington Pos't.
- Isto não tem qualquer sentido. Há meses que a Arábia Saudita diz que quer manter os preços entre 20 e 22 dólares e não há qualquer reflexo no mercado - destacou Mike Fitzpatrick, analista da corretora Fimat.
Fadel Gheit, analista do Oppenheimer Fund, acredita na tese do livro de Woodward:
- Os sauditas têm muito interesse na reeleição de Bush. Há uma antiga relação entre a família Bush e a família real saudita.
- Penso que os sauditas ajudarão (Bush) aumentando sua produção para fazer baixar os preços no mercado, já que com os preços a US$ 40 o barril Bush tem menos possibilidades de se reeleger - disse.
Kerry critica Bush por acordo com Arábia Saudita
Terça, 20 de Abril de 2004 às 03:01, por: CdB