O senador democrata Ted Kennedy voltou a acusar o governo Bush de ter exagerado, com pleno conhecimento, a ameaça representada por Saddam Hussein para justificar uma intervenção militar no Iraque.
"Em sua corrida para a guerra, o presidente exagerou a ameaça, sem matizes nem sutilezas (...), apostando no temor e recorrendo a uma estratégia tortuosa para convencer os americanos da capacidade de Saddam de fornecer armas nucleares à rede Al-Qaeda para justificar uma ação militar imediata", declarou Kennedy em um discurso perante o Conselho de Relações Exteriores, um centro de análise de Washington.
Em sua longa argumentação, na qual citou o ex-secretário do Tesouro de Bush Paul O'Neill - que publicou um livro acusando Bush de privilegiar a ideologia em lugar dos fatos -, Kennedy afirmou que a guerra contra Saddam era um objetivo de sua Administração desde que chegou à Casa Branca.
O senador por Massachusets assumiu a defesa dos serviços de inteligência e avaliou que "a precipitada decisão de invadir o Iraque não pode ser atribuída unicamente às insuficiências dos organismos de inteligência". "Se julgarmos esses acontecimentos simplesmente como um fracasso da inteligência - antes do que um fracasso mais grave ainda das decisões e dos líderes políticos - vamos tirar conclusões equivocadas", insistiu.