As agressões verbais e provocações que marcaram o debate de domingo na TV Record entre o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, e a petista Marta Suplicy, continuaram nesta segunda-feira.
Kassab voltou a vincular Marta ao escândalo do mensalão, enquanto a campanha do PT reagiu afirmando que ele usa o fato como "cortina de fumaça" para deixar de explicar suas relações com o ex-prefeito Celso Pitta (1997-2000).
- Todos sabem que me afastei de Pitta, eu apenas consultei se ela tinha se afastado da turma do mensalão. Evidente que todos sabem que não - disse Kassab em entrevista nesta manhã, após um debate em que se mostrou mais agressivo do que em outros programas.
Em nota, o deputado Carlos Zarattini, coordenador-geral da campanha de Marta, afirmou que Kassab "resolveu usar a cortina de fumaça do chamado 'mensalão' para fugir das explicações que deve ao eleitor de São Paulo".
O texto menciona "falsas associações" e diz que Marta não se envolveu com o esquema do PT que veio a público em 2005.
- Todos sabem que Marta não teve nenhum envolvimento com esse assunto. Sendo Kassab quem é, houvesse qualquer insinuação de ligação de Marta com o tema, ele teria explorado isso desde o primeiro dia de campanha. Só tenta fazer isso agora para não ter que responder sobre sua história pessoal, sua trajetória, seu DNA - diz a nota.
Na mesma entrevista, o prefeito classificou como natural o clima tenso do debate da Record e, apesar de afirmar que foram discutidas propostas, o que se viu foram ataques de parte a parte.
- Minha avaliação (do debate) é positiva. É natural este clima de rivalidade, esse clima de disputa. Ela tem as propostas dela e a gente tem as nossas - disse Kassab a jornalistas no centro da cidade.
Marta, em campanha na zona sul, fez poucos comentários sobre o debate em que se desculpou mais de uma vez por ter criado taxas quando esteve à frente da prefeitura (2001-2004) e por ter veiculado em sua campanha de mídia propaganda que questionou a sexualidade do prefeito.
- Eu acredito que o debate de ontem foi um avanço. A população entendeu a diferença entre as duas candidatura - afirmou.
No debate, na nota desta segunda-feira e na entrevista da candidata, a campanha vincula Kassab a Pitta, de quem o prefeito foi secretário do Planejamento. Pitta, herdeiro político de Paulo Maluf (PP), deixou o cargo sob escândalo e sofre hoje forte rejeição da população paulistana.
- Ele foi braço direito de Pitta em tudo que aconteceu nessa cidade. Isso é muito grave. É uma pessoa que tem a história muito comprometida - argumentou Marta na entrevista.
Serra faltou
Apesar da troca de farpas, Kassab, com vantagem de 16 pontos percentuais em relação a Marta, demonstrou bom humor nas entrevistas, mas não subiu no salto alto para a eleição do próximo domingo.
- Para domingo, existe muito otimismo, a avaliação do nosso governo é muito boa, porém o eleitor só vai se manifestar no dia da eleição - disse.
Convidado para a cerimônia em que foi lançado um edital de licitação para a reforma da Praça das Artes e de um anexo da Biblioteca Mário de Andrade, na região central, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), deixou de comparecer e mandou como representante o secretário de Cultura, João Sayad.
- Ele foi convidado e tinha a expectativa que pudesse vir, mas já tinha alertado na sexta-feira que não viria - explicou Kassab.
A assessoria do governador, padrinho político de Kassab, não comentou a ausência do governador, que na semana passada enfrentou a pior crise da polícia paulista, em que policiais civis em greve tiveram um confronto nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, com policiais militares.
Para Kassab, a crise nas polícias não deve interferir em sua campanha. Ele não acredita que a candidatura adversária vai querer tirar proveito do episódio.
- Faltaria espírito público a qualquer candidatura que tenha como base uma crise com essa dimensão - disse.