O meio-campista Kaká disse que pode deixar o Milan caso não haja uma solução para a violência na Itália. No último final de semana, o torcedor Gabriele Sandri, da Lazio, foi morto por um tiro de um policial, e dois jogos da rodada do Campeonato Italiano foram cancelados.
— Se essa situação se repetir, vou repensar se estou me divertindo jogando futebol, fazendo aquilo que eu amo. Foram muito tristes os fatos que aconteceram. Fui vítima direta, uma vez que o Milan acabou não jogando — declarou o jogador, após treino da Seleção Brasileira em Teresópolis.
Questionado se cogita deixar o futebol italiano por conta dos problemas ocorridos no final de semana, Kaká foi claro. — Com certeza. Não é a primeira vez. No ano passado, já teve o escândalo (de manipulação de resultados) e a morte do policial. Agora isso — respondeu.
O ex-são-paulino, cujo futebol agrada bastante os dirigentes do Real Madrid, cobrou medidas rápidas e uma mobilização dos jogadores para auxiliar na solução dos problemas. Ele confia nas autoridades italianas para blindar o futebol da violência do país.
— Estou preocupado. É um problema social do país que estão levando para o futebol. No final, é a gente que acaba sofrendo a maior das punições, não sabe quando vai jogar, concentrar. A classe dos jogadores precisa se mobilizar para que algo seja feito — acrescentou.
Por fim, apesar de todas as reclamações, Kaká disse que a morte do torcedor italiano não assusta tanto quanto a possibilidade de seqüestro no Brasil. — É diferente, mas o que assusta mais é o seqüestro. De qualquer maneira, é uma violência que preocupa porque vemos crianças e temos familiares sempre no estádio —.