Rio de Janeiro, 19 de Abril de 2026

Kaiowás, depois de expulsos, são caçados pela polícia

Depois de expulsos, cassados e presos. Esta é a situação de um grupo de índios da tribo guarani-kaiowa que, em um enfrentamento à polícia de Dourados, no Mato Grosso do Sul, matou dois policiais e feriu um terceiro. (Leia Mais)

Domingo, 02 de Abril de 2006 às 07:43, por: CdB

Depois de expulsos, cassados. Esta é a situação de um grupo de índios da tribo guarani-kaiowa que, em um enfrentamento à polícia de Dourados, interior do Mato Grosso do Sul, matou dois policiais e feriu um terceiro. Quatro indígenas foram encontrados e presos, mas até agora não relataram sua versão. Segundo o ponto-de-vista de autoridades policiais do município, Rodrigo Pereira Lorenzatto e Ronilson Bartie foram mortos ao investigar a denúncia de que integrantes desta etnia iniciaram um processo de ocupação em um terreno localizado em uma localidade conhecida como Porto Cambira. O policial que conseguiu escapar à reação dos índios, Emerson Gadani, está internado no Hospital Evangélico e o seu estado de saúde é regular, segundo informe médico.

Testemunhas disseram a jornalistas locais que os agentes chegaram, em um carro descaracterizado, ao acampamento dos índios kaiowás - que foram expulsos de suas terras pouco antes do Natal do ano passado, em uma violenta ação da Polícia Federal (PF) -, localizado às margens da rodovia MS-156. Eles foram investigar a denúncia de que o foragido da justiça Wilson Rodrigues da Silva, acusado de assassinar um pastor evangélico há três dias, estava escondido entre os índios. A denúncia, no entanto, não foi comprovada. É considerável o ambiente de revolta entre os guarani-kaiowá. Expulsos de suas terras, forçados a viver ao lado de um poço d'água contaminada, junto com os animais de propriedade do fazendeiro que cercou a região onde viviam seus ancestrais, há milênios, e diante da morte e da doença dos últimos remanescentes de uma nação, a figura da autoridade policial é hoje um estigma entre os moradores do acampamento.

Após desembarcar do carro não identificado, armados e dizendo-se policiais em busca de um suspeito, houve o confronto. Os detetives, agredidos com facas, à pauladas e pedradas, perderam o armamento para os agressores. Em seguida, foram atingidos à bala e mortos no local. Morreram Rodrigo Pereira Lorenzato, de 26 anos, e Ronilson Guimarães Bartier, 36. A cena foi descrita pelo policial Emerson José Gadani, 33 anos que, mesmo ferido, conseguiu se embrenhar no mato e chegar à sede de uma fazenda próxima, de onde foi transferido para o hospital local. As armas ainda estavam no poder dos índios, neste domingo. Alertados para o ambiente de conflagração, outras unidades das polícias Civil e Militar foram mobilizadas e passaram a caçar os índios. As buscas resumem-se à região.

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