As Nações Unidas e a União Europeia, já decidiram várias sanções contra o líder líbio, Muammar Kadafi, incluindo um embargo à venda de armamento, o congelamento de contas da liderança de Tripoli no estrangeiro e a proibição de deslocação ao exterior dos responsáveis líbios. Mas pelo visto, nada que impeça a família de fazer negócios na Alemanha.
Uma repórter da Deutsche Welle, visitou um dos postos de gasolina que pertencem ao império de Kadafi na Alemanha e, para a sua surpresa, na cidade de Bona: os clientes estão satisfeitos.
Num posto de gasolina da rede HEM - "Hamburg Eggert Mineralöle" - o combustível é sempre alguns cêntimos mais barato que o da concorrência.
A cadeia HEM pertence ao consórcio "Tamoil", que por sua vez faz parte da holandesa "Oilinvest". E esta é uma filial completamente nas mãos do fundo estatal líbio, "Libyan Investment Authority", controlado pelo líder líbio Kadafi.
Este fato não parece incomodar os clientes: “sim, pertence ao Kadafi, como se sabe. Mas porque é que isso há de ser problema meu? O mundo que resolva o problema. E quando este posto de gasolina for embora, aparece outro igual e o jogo segue”, comenta um cliente ao ser questionado.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: A cadeia de postos de gasolina HEM pertence a TamoilA responsabilidade não é somente do mundo. Pelo menos é esta a opinião de Elvira Drobinski-Weiss, deputada social-democrata em Berlim, especializada em questões do consumidor, que exige um posicionamento claro da população alemã.
Segundo ela, é preciso boicotar as bombas da HEM como prova de solidariedade com o povo líbio, que está a ser violentamente atacado por Kadafi.
A própria HEM não quer se pronunciar sobre as suas ligações ao clã dos Kadafi. O responsável do estabelecimento pediu que a repórter se dirigisse às relações públicas da "Tamoil". Mas a porta-voz da seção alemã da "Tamoil" também não se pronuncia.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Por enquanto não será mais transferido dinheiro para Tripoli A "Tamoil" tem na Alemanha 395 postos de gasolina. O faturamento é de 1,6 mil milhões de euros. Em 2009 os lucros auferidos ascenderam a 97 milhões de euros. Até agora os postos de gasolina de Kadafi escaparam às sanções.
Além das sanções já impostas, no último dia oito de março a União Europeia decidiu congelar também as contas do fundo estatal líbio, ao qual pertence a "Tamoil". Isso significa que o dinheiro não vai mais ser transferido para Tripoli, pelo menos até que se esclareça a situação.
Autora: Stefanie Duckstein / Cristina Krippahl
Revisão: Bettina Riffel / António Rocha