Confronto entre governo e oposicionistas segue mesmo após início do período do Ramadã muçulmano
04/08/2011
da Redação
Apesar do início do Ramadã – período em que os muçulmanos realizam seu jejum ritual - , no dia 1º deste mês, continuam as ofensivas militares entre o regime da Líbia e a oposição, que age em conjunto com os militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Na terça-feira (02) houve confrontos entre oposicionistas armados e o exército líbio na cidade de Zlitan, no oeste do país, a 100 quilômetros da capital Trípoli. Foram contabilizados sete mortos entre os oposicionistas e mais de 50 feridos. Na quarta-feira (03), o regime de Muamar Kadafi anunciou que ocupou a cidade.
O filho de Kadafi, Saif al-Islam, em entrevista ao jornal The New York Times nesta quarta-feira (03), afirmou que o ditador líbio busca agora uma aliança com os grupos muçulmanos para afastar os liberais do poder. “Os liberais terão de fugir ou serão mortos”, disse o filho de Kadafi.
No início da revolta contra o regime, em fevereiro deste ano, Kadafi chegou a culpar os muçulmanos pela onda de protestos. Mas, segundo al-Islam, as conversações sobre a possível aliança avançam e devem ser finalizadas nos próximos dias.
Crise
Desde fevereiro deste ano, grupos oposicionistas encabeçaram uma revolta contra o regime de Muamar Kadafi – no governo há 42 anos -, pedindo sua renúncia e a realização de reformas no país. Os oposicionistas concentram-se em Benghazi, no leste do país, e criaram o Conselho Nacional de Transição (CNT), já reconhecido como representante legítimo do povo líbio por países como Bélgica, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Holanda, Luxemburgo e Portugal.
A crise na Líbia agravou-se com o ingresso dos militares da Otan, em março. Desde que começaram as ações bélicas, o governo líbio contabiliza mais de 1,2 mil mortos, em sua maioria civis. No entanto, organizações de direitos humanos denunciam que o número de vítimas seja muito mais elevado.
A Otan, por sua vez, defende que os ataques contra a Líbia, assim como o avanço dos oposicionistas, “podem acelerar a queda” do ditador líbio. “Temos perturbado a máquina de guerra de Kadafi. A oposição avança. Os recursos do regime diminuem. Ministros e generais desertam. O regime está cada dia mais ilhado. Tudo isso vai conduzir à sua ruína”, afirmou o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, em entrevista ao diário francês Midia Livre.
O regime líbio afirma que as ações da Otan contradizem a resolução 1973 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Na resolução, o organismo ordenou a criação de uma zona de exclusão aérea para “assegurar a proteção dos civis e das zonas povoadas por civis, assim como o trânsito rápido e sem impedimentos da assistência humanitária e a segurança das pessoas”.
(Com informações de agências)