Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Justiça responsabiliza Holanda por mortes no Massacre de Srebrenica

Um tribunal de Haia responsabilizou nesta quarta-feira o Estado holandês pela morte de mais de 300 homens e jovens muçulmanos na região bósnia de Srebrenica durante a guerra civil da década de 1990 na Iugoslávia. Para o tribunal, os capacetes azuis holandeses enquadrados na missão militar das Nações Unidas tinham a obrigação de ter protegido os muçulmanos, que acabaram sendo vítimas das forças sérvias.

Quarta, 16 de Julho de 2014 às 09:42, por: CdB
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Justiça responsabiliza Holanda por mortes no Massacre de Srebrenica
Um tribunal de Haia responsabilizou nesta quarta-feira o Estado holandês pela morte de mais de 300 homens e jovens muçulmanos na região bósnia de Srebrenica durante a guerra civil da década de 1990 na Iugoslávia. Para o tribunal, os capacetes azuis holandeses enquadrados na missão militar das Nações Unidas tinham a obrigação de ter protegido os muçulmanos, que acabaram sendo vítimas das forças sérvias. É a primeira vez que o Estado de origem de uma força de manutenção da paz da ONU é responsabilizado por crimes de guerra, numa decisão que pode influenciar futuras missões. Familiares das vítimas e sobreviventes exigiam, porém, o reconhecimento da responsabilidade do Estado holandês na morte de todas as mais de 8 mil pessoas assassinadas durante o Massacre de Srebrenica, considerado o pior massacre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. De acordo com o veredicto da juíza Larissa Elwin, os capacetes azuis holandeses, mesmo cientes da possibilidade de genocídio, falharam em impedir a deportação de mais de 300 homens e meninos que estavam sob sua proteção na base de Potocari. Poucos dias depois, os deportados foram mortos pelas tropas sérvias. - O Estado (holandês) é responsável pelas perdas sofridas pelos familiares das pessoas que foram deportadas pelos sérvios da Bósnia e que se encontravam nas instalação do 'Dutchbat' (batalhão holandês), na base de Potocari, no dia 13 de julho de 1995 - disse a juíza Larissa Elwin do Tribunal de Haia. - Ao meio-dia de 13 de julho, o batalhão holandês não deveria ter deixado partir os homens que se encontravam nas suas próprias instalações - acrescentou a juíza, sublinhando que os soldados holandeses "deveriam ter considerado a possibilidade de que os homens poderiam ser vítimas de genocídio". - Podemos afirmar com certeza que, se os holandeses tivessem permitido aos homens permanecerem no local, estes ainda estariam vivos - disse. Mal equipada, a missão pacificadora holandesa não ofereceu qualquer resistência quando as milícias avançaram, deixando seus postos de vigilância e bloqueios nas mãos dos sérvios, segundo um relatório da ONU. O enclave de Srebrenica havia sido declarado área de proteção das Nações Unidas em 1993, atraindo milhares de bósnios muçulmanos em busca de refúgio. Em julho de 1995, sérvios bósnios, sob o comando do general Ratko Mladic, atacaram a região, matando mais de 8 mil homens e jovens muçulmanos. O Estado holandês rejeita as acusações, argumentando que os soldados estavam sob comando da ONU. O processo foi iniciado pelas Mães de Srebrenica, um grupo que reúne cerca de 6 mil familiares das vítimas e sobreviventes do massacre. O veredicto foi anunciado poucos dias depois de milhares de pessoas se reunirem em Srebrenica para marcar o 19º aniversário do massacre. O episódio aconteceu meses antes do fim da Guerra da Bósnia, que deixou cerca de 100 mil mortos entre 1992 e 1995. Em setembro passado, o Estado holandês já havia sido responsabilizado pela morte de três muçulmanos que se encontravam numa base militar dos capacetes azuis holandeses e que foram mortos pelos sérvios bósnios.
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